sábado, 10 de março de 2012

O Compositor Me Disse


O Compositor Me Disse
Gilberto Gil

O compositor me disse que eu cantasse distraidamente
Essa canção
Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca
Vindo do pulmão
E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento jogando as palavras
Pelo ar

O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento
Sem ligar
Pras coisas que ele quis dizer
Que eu não pensasse em mim nem em você
Que eu cantasse distraidamente como bate o coração
E que eu parasse aqui
Assim

Áudio Elis Regina

terça-feira, 6 de março de 2012

Melodia Sentimental


Da suíte sinfônica A Floresta do Amazonas (1958), Melodia Sentimental, de Heitor Villa-Lobos sobre poema de  Dora Vasconcelos, possui várias interpretações, das quais selecionei a de João Bosco (voz, violão e arranjo) e Marco Pereira (violões, violão 8 cordas) no disco de João intitulado Dá Licença, Meu Senhor, de 1995.

Melodia Sentimental
Heitor Villa-Lobos e Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

Áudio João Bosco e Marco Pereira

segunda-feira, 5 de março de 2012

Bachianas Brasileiras n.4 - Prelúdio


Hoje o maestro Heitor Villa-Lobos completaria 125 anos. Em sua homenagem selecionei uma de suas composições de que mais gosto: o Prelúdio das Bachianas Brasileiras n.4. A primeira interpretação é de Egberto Gismonti (piano, sintetizador e arranjo) acompanhado por uma orquestra de cordas no disco Trem Caipira (1985), todo com obras do Villa, um espetáculo! Já a segunda é um vídeo com a orquestra de cordas Arte Viva, regida por Amilson Godoy, outro espetáculo!

Bachianas Brasileiras n.4 - Prelúdio
Heitor Villa-Lobos

Instrumental

Áudio Egberto Gismonti e orquestra de cordas



Vídeo Orquestra de Cordas Arte Viva

domingo, 4 de março de 2012

Sangue Latino


A ótima canção Sangue Latino, de João Ricardo e Paulo Mendonça, foi interpretada em 1973 pelo grupo Secos & Molhados, composto por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gérson Conrad.

Sangue Latino
João Ricardo e Paulo Mendonça

Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo

E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa

Áudio Secos & Molhados

sábado, 3 de março de 2012

Eu Não Aguento


Eu Não Aguento, da Banda Tiroteio - Sérgio Boneka, Trambolho e Clover Over (Cássio) -, foi gravada pelos Titãs no seu álbum Domingo, de 1995 (ou 1996). Participam: Charles Gavin (bateria, samplers e programação rítmica), Marcelo Fromer (guitarra), Tony Bellotto (guitarra e violão), Sérgio Britto (voz solo e teclado) e Nando Reis (vocais e baixo), com a participação de Sérgio Boneka. A gravação tem os acordes iniciais de Sangue Latino, de João Ricardo e Paulo Mendonça, do grupo Secos e Molhados, de 1973 (ver aqui). No clip da música também há uma citação da capa do LP do grupo de Ney Matogrosso, João Ricardo e Gérson Conrad, em que as cabeças dos músicos, também maquiados, são servidas em um banquete. 

Eu Não Aguento
Banda Tiroteio

Eu não aguento, não aguento
Eu não aguento, não aguento
É de noite, é de dia
Mão na cabeça e documento

Eu vou me embora para a ilha, fazer a cabeça
Sob o sol que irradia, queimando em ritual
É na batida do reggae, com o cabelo trançado
Eu tô livre na vida, o que é que há de errado
Com a noite que brilha, o que é que há de errado
Com a noite que brilha?

(Mão na cabeça e o documento!)
É, malandragem, a vida não tá fácil não
Mas deixa que eu seguro esta bronca
Se liga...
(Mão na cabeça e o documento!)
A vida pra mim não preservou mais nada
Eu fico esperando ela terminar
A arma para mim agora está apontada
So mais uma geral que eu tenho que aguentar
Tá liberado, vai embora, some da minha frente
Se te encontro novamente vou te enquadrar
Não posso mais viver a vida alegremente
Tem sempre autoridade para me discriminar
Todo mundo pinta o sete
Eu também quero pintar

Vídeo Titãs e Sérgio Boneka



Making of do clip

sexta-feira, 2 de março de 2012

Uns Iguais Aos Outros


A banda Titãs interpreta Uns Iguais Aos Outros, de Sérgio Britto e Charles Gavin, no disco Domingo, de 1996. Participam: Nando Reis (baixo), Charles Gavin (bateria), Marcelo Fromer (guitarra), Tony Bellotto (guitarra), Paulo Miklos (vocais e teclado) e Sérgio Britto (voz solo e teclado).

Uns Iguais Aos Outros
Sérgio Britto e Charles Gavin

Os homens são todos iguais
Os homens são todos iguais
Ingleses, indianos
Africanos contra africanos
Aos humildes o reino dos céus
Ao povo alemão e ao de Israel
Putas, ladrões e aidéticos
Católicos e evangélicos
Todos os homens são iguais
Brancos, pretos e orientais
Todos são filhos de deus
Os pretos são os judeus
Cristãos e protestantes
Kaiowas contra xavantes
Árabes, turcos e iraquianos
São iguais os seres humanos
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
Americanos contra latinos
Já nascem mortos os nordestinos
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Dessa vida nada se leva
Nesse mundo se ajoelha e se reza
Não importa que língua se fala
Aquilo que une é o que separa
Não julgue pra não ser julgado
Os pobres são pobres-coitados
São todos iguais no fundo, no fundo
As mulheres são os pretos do mundo
Tanto faz a cor que se herda
Seja feita a tua vontade no céu como na terra
Gays, lésbicas-homosexuais
Todos os homens são iguais
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
Os homens são todos iguais
Os homens são todos iguais
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Aos humildes o reino dos céus
Ao povo alemão e ao de Israel
Não importa que língua se fala
Aquilo que une é o que separa
Todos os homens são iguais
Brancos, pretos e orientais
São todos iguais no fundo, no fundo
As mulheres são os pretos do mundo
Cristão e protestantes
Kaiowas contra xavantes
Gays, lésbicas-homosexuais
Todos os homens são iguais
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

Áudio Titãs

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ninguém = Ninguém


Ninguém = Ninguém, de Humberto Gessinger, está no disco Gessinger, Licks & Maltz, dos Engenheiros do Hawaii, lançado em 1992. Participam: Humberto Gessinger (voz e baixo), Carlos Maltz (bateria) e Augusto Licks (guitarra).


Ninguém = Ninguém
Humberto Gessinger

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
(Ninguém = Ninguém)
Me espanta que tanta gente sinta
(Se é que sente) a mesma indiferença

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
(Ninguém = Ninguém)
Me espanta que tanta gente minta
(Descaradamente) a mesma mentira

Todos iguais
Todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(A vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes
Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
(Ninguém = Ninguém)
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

Todos iguais
Todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente)
Ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

Todos iguais
Todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais
Todos iguais
Tão desiguais...
Tão desiguais...

Áudio Engenheiros do Hawaii



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

The Frog - A Rã


Fiquei sabendo que em inglês ano bissexto é chamado leap year (leap significa "pular"), ou seja, a data de hoje irá "pular" quatro anos, se repetindo somente em 2016; eis o porquê da associação desse dia com sapos, nos países de língua inglesa (ver aqui e aqui). Aí me lembrei da composição The Frog (O Sapo), de João Donato, interpretada por ele no seu álbum A Bad Donato, de 1970, e por João Gilberto no seu disco do mesmo ano. A música ganhou depois letra de Caetano Veloso e passou a se chamar A Rã, interpretada por Gal Costa em seu disco Cantar, de 1974.

The Frog
João Donato

Instrumental


A Rã
João Donato e Caetano Veloso

Coro de cor
Sombra de som de cor
De mal-me-quer
De mal-me-quer de bem
De bem-me-diz
De me dizendo assim
Serei feliz
Serei feliz de flor
De flor em flor
De samba em samba em som
De vai e vem
De ver de verde ver
Pé de capim
Bico de pena pio
De bem-te-vi
Amanhecendo sim
Perto de mim
Perto da claridade
Da manhã
A grama a lama tudo
É minha irmã
A rama o sapo o salto
De uma rã

Áudio João Donato



Áudio João Gilberto



Áudio Gal Costa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Brisa do Mar


Nana Caymmi interpreta Brisa do Mar, de João Donato e Abel Silva em seu disco "...E a Gente Nem Deu Nome", de 1981.

Brisa do Mar
João Donato e Abel Silva

Brisa do mar
Confidente do meu coração
Me sinto capaz de uma nova ilusão

Que também passará
Como ondas na beira de um cais
Juras, promessas, canções
Mas por onde andarás

Pra ser feliz não há uma lei
Não há porém sempre é bom
Viver a vida atento ao que diz
No fundo do peito o seu coração

E saber entender
Os segredos que ele ensinou
Mensagens sutis
Como a brisa do mar

Áudio Nana Caymmi

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Conversa de Botequim


Em 1935 Noel Rosa gravou Conversa de Botequim, sua e de Vadico. Ótima composição e ótima interpretação!!

Conversa de Botequim
Vadico e Noel Rosa

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo, um copo de água bem gelada
Fecha a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto e nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palito e um cigarro pra espantar mosquito
Vá dizer ao charuteiro que me empreste
Uma revista, um isqueiro e um cinzeiro
Telefone ao menos uma vez para 34-4333
E ordene ao seu Osório que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom, me empreste algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente que pendure esta despesa
No cabide ali em frente

Áudio Noel Rosa

domingo, 26 de fevereiro de 2012

É Preciso Discutir


É  Preciso Discutir, de Noel Rosa, na ótima interpretação dos Ases do Samba: Francisco Alves e Mario Reis. A gravação é de 1931.

É  Preciso Discutir
Noel Rosa

Francisco Alves:
Na introdução deste samba
Quero avisar por um modo qualquer
Que esta briga
É por causa de uma mulher

Mario Reis:
E eu aviso também
Que neste samba agora me meto
Para cantar
Com Francisco Alves em dueto

É  preciso discutir
Mas não quero discussão
Da discussão sai a razão
Mas às vezes sai pancada
A questão é complicada
Quero ver a decisão

A mulher tem que ser minha
A mulher não traz letreiro
Foi comigo que ela vinha
Mas fui eu quem viu primeiro
Ela é minha porque vi
Mas quem segurou fui eu
A conversa já meti
A mulher não escolheu
E podes crer que...

Já perdi a paciência
Eu por ela me arrisco
Sou capaz de violência
Mas não vai quebrar o disco
Quanto tempo foi perdido
Perdi tempo pra ganhar
Ganhar fama de atrevido
Quem se atreve quer brigar
E podes crer que...

Áudio Francisco Alves e Mario Reis

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Foi Ela


Francisco Alves gravou Foi Ela, de Ary Barroso, em 1935. Mulher danada essa! hehehe...

Foi Ela
Ary Barroso

Quem quebrou meu violão de estimação
Foi ela!
Quem fez do meu coração seu barracão
Foi ela!
E depois me abandonou, ô, ô, ô, ô
Minha casa se despovoou
Quem me fez tão infeliz só porque quis
Foi ela!
Foi um sonho que findou, ô, ô, ô, ô
Um romance que acabou, ô, ô,ô, ô
Quem fingiu gostar de mim até o fim
Foi ela!

Áudio Francisco Alves

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dois Corações


Dois Corações, de Herivelto Martins e Valdemar Gomes, foi interpretada pela primeira vez pela mulher de Herivelto, Dalva de Oliveira, e o Rei da Voz, Francisco Alves, em 1942. Aqui apresentamos um dueto póstumo com Dalva e seu filho (com Herivelto) Pery Ribeiro, gravação lançada no disco Tributo à Dalva de Oliveira, de 1997.

Dois Corações
Herivelto Martins e Waldemar Gomes

Quando dois corações se amam de verdade
Não pode haver no mundo maior felicidade
Tudo é alegria, tudo é ilusão
Que bom que não seria se eu tivesse um amor

Eu sou o poeta que canta a lua quarto crescente
Sozinho, sem vida, descrente
Lua cheia, onde estais que não clarea
Esse triste coração, vazio caramanchão

Áudio Dalva de Oliveira e Pery Ribeiro

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Correnteza


Correnteza é o título do segundo álbum de Edu Krieger, lançado em 2009. Aqui ele interpreta a canção-título tocando violão 8 cordas.

Correnteza
Edu Krieger

Correnteza leva o rio
Leva o rio devagar
Vai correndo tão macio
deslizando para o mar
O amor é meu navio
Pra contigo navegar
O amor é meu navio
Pra contigo navegar

Vai correnteza
Leva embora essa tristeza
Que em meu peito transbordou
Vai correnteza
E me leva bem depressa
Pra encontrar o meu amor

Correnteza leva o rio
Eu também quero levar
Pra bem longe esse vazio
Que em meu peito quer morar
Ser feliz é um desafio
Mas a gente chega lá
Ser feliz é um desafio
Mas a gente chega lá

Vídeo Edu Krieger

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Novo Amor


Nesta quarta-feira de cinzas, encerrando o carnaval, apresentamos Novo Amor, de Edu Krieger, na ótima interpretação de Roberta Sá e Hamilton de Hollanda com seu bandolim em dois momentos: na gravação do disco de Roberta intitulado Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria, de 2007, e no vídeo com os dois intérpretes.

Novo Amor
Edu Krieger

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor

Áudio Roberta Sá e Hamilton de Hollanda


 

Vídeo Roberta Sá e Hamilton de Hollanda

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Flor da Idade



Chico Buarque escreveu Flor da Idade para a trilha do filme Vai Trabalhar Vagabundo!, de Hugo Carvana (1973) e depois a aproveitou para a trilha de sua peça (com Paulo Pontes) Gota d'Água (1975). A gravação apresentada é do disco Chico Buarque & Maria Bethânia, de 1975, e também há um trecho do filme de Carvana; em ambas Chico interpreta a música. Dessa vez o intertexto da letra é com o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade: João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém... (ouça Drummond aqui).

Flor da Idade
Chico Buarque

A gente faz hora, faz fila na vila do meio-dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixa um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor

Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
A filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

Áudio Chico Buarque (1975)



Vídeo filme Vai Trabalhar Vagabundo!, canta Chico Buarque (1973)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Fantasia


Fantasia, de Chico Buarque, foi lançada em seu disco de 1980. Na letra há um intertexto com o poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa: O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.

Fantasia
Chico Buarque

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia

Áudio Chico Buarque

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sem Fantasia


Chico Buarque compôs Sem Fantasia para a sua peça Roda Viva em 1967. A gravação original, dueto com Cristina Buarque, está no seu disco daquele ano, Chico Buarque de Hollanda Volume 3. Apresentamos também a gravação do cantor/compositor em novo dueto, dessa vez com Maria Bethânia, no álbum Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo, de 1975.

Sem Fantasia
Chico Buarque

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

Áudio Chico Buarque e Cristina Buarque



Áudio Chico Buarque e Maria Bethânia

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ilhéu Por Devoção


O ótimo samba exaltação à cidade e personagens ilustres de Floripa intitulado Ilhéu Por Devoção, de Jorge  Coelho, está em seu disco Farol dos Naufragados, de 2003. No final ele cita vários nomes de personalidades daqui, mas essa parte não está no encarte do CD e alguns não consegui compreender, daí os pontos de interrogação na transcrição abaixo. Participam dessa gravação: Jorge Coelho (voz e vilão nylon), Arnou de Mello (contrabaixo), Marco Aurélio (trombone), Luiz Gama Pelé (percussão), Márcio Parucker (percussão), Amarildo (surdo), Carlos Antônio Gerlach (cuíca), Gisele Vianna (vocal) e Maria Helena (vocal).

Ilhéu Por Devoção
Jorge Coelho

Vai alegria, vai colher rimas ao vento
Vem cobrir de verso e prosa
Esta ilha majestosa
A luz do meu encantamento

Teu mar quem temperou
Além do sal trouxe magia
Levando a gente pra sonhar
Num verde azul se renovar
No amanhecer de todo dia

Teu sol, só deus criou
Trazendo um quê de fantasia
É a natureza a cintilar
Nos convidando pra sambar
Como se fosse uma folia

Quero saudar quem fez e faz a cara do lugar
Saul, Zininho, Dete [Piazza] e o Guga
E o Senador [Alcides Ferreira], Miguel, Roberto,
Içuriti, Cacau, Aldírio, Irê, Paru
A Nega Tide e o Franklin
Na Praça Quinze o Miramar me conquistou
De sedução em sedução
Já entreguei meu coração
Eu sou ilhéu por devoção

E a minha saudação também vai para: Valdir Agostinho, Zeca Pires, Neide Mariarrosa, Beto Stodick, Ricardinho Machado, Luiz Henrique Rosa, Mazinho do Trombone, Manoel de Menezes, Marisa Ramos, Tuca e Deto, Neném Alves, Timotinho, ?, ?, ? Cavallazzi, Maestro Hélio Teixeira da Rosa, Adolfo Zigueli, Peninha, o Arantinho, o nosso imortal Rei Momo Lagartixa, Walter Amadei, Dona Didi a eterna rainha do samba, Pedrinho do Pandeiro, Fenelon Damiani o dono da voz, e tantos outros ilhéus que esta terra há de abençoar.

Áudio Jorge Coelho e demais músicos (também aqui)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

La Belle de Jour


La Belle de Jour, de Alceu Valença, está em seu álbum 7 Desejos, lançado em 1992.

La Belle de Jour
Alceu Valença

Eu lembro da moça bonita
Da praia de Boa Viagem
A moça no meio da tarde
De um domingo azul
Azul, era Belle de Jour
Era a bela da tarde
Seus olhos azuis como a tarde
Na tarde de um domingo azul
La Belle de Jour

La Belle de Jour
Era a moça mais linda de toda a cidade
E foi justamente pra ela
Que eu escrevi o meu primeiro blues
Mas Belle de Jour, no azul viajava
Seus olhos azuis como a tarde
Na tarde de um domingo azul
La Belle de Jour

Áudio Alceu Valença