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sábado, 24 de setembro de 2011

O Coco do Coco


O Coco do Coco
Guinga e Aldir Blanc

Moça donzela não arrenega um bom coco,
Nem a mãe dela, nem as tia, nem a madrinha.
Num coco tô com quem faz muito e acha pouco,
em rala-rala é que se educa a molhadinha.

Se tu não peca, meu bem,
Cai a peteca, neném,
Vira polícia da xereca da vizinha.
Se tu se guarda e não tem
Tá encruada que nem
Ovo no cu da galinha.

Não tem cinismo quem diz
Entre a santa e a meretriz,
Só muda a forma com que as duas se arreganha.
Eu só me queixo se criar teia de aranha,
Quem nega, ou tá de manha
Ou faz pouco que gozou.
No tempo em que eu casei de véu com meu marido
Eu era virgem do ouvido e ele nunca reclamou,
Pra ser sincera eu acho que isso inté facilitou.

Moça...

Vídeo Leila Pinheiro, Guinga e músicos da Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro - OSRJ

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Senhorinha



Senhorinha
Guinga / Paulo César Pinheiro

Senhorinha
Moça de fazenda antiga, prenda minha
Gosta de passear de chapéu, sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha

Sinhazinha
No balanço da cadeira de palhinha
Gosta de trançar seu retrós de linha
Como quem parece que adivinha (amor)

Será que ela quer casar
Será que eu vou casar com ela
Será que vai ser numa capela
De casa de andorinha

Princesinha
Moça dos contos de amor da carochinha
Gosta de brincar de fada-madrinha
Como quem quer ser minha rainha

Sinhá mocinha
Com seu brinco e seu colar de água-marinha
Gosta de me olhar da casa vizinha
Como quem me quer na camarinha (amor)

Será que eu vou subir no altar
Será que irei nos braços dela
Será que vai ser essa donzela
A musa desse trovador

Ó prenda minha
Ó meu amor
Se torne a minha senhorinha

Áudio Guinga (o clarinete é Paulo Sergio Santos)

domingo, 24 de outubro de 2010

Cordas


Cordas
(Guinga / Aldir Blanc)
Leila Pinheiro - Catavento e Girassol (1996)


Bandolim, bandolim, bandolim
Diz que não, diz talvez, diz que sim
Não diz coisa com coisa pra mim
Diz que a vida anda assim, assim

E me conta os anseios tristonhos
Que teus sons de cristal põem nos sonhos
Das mulheres do porto, as princesas do reino
Veneno, discórdia

Quero sim, quero não, ai de mim
Não traí, traí sim, bandolim
Tua voz me alicia em cetim
Riso cínico em céu de jasmin

Bandolim, se você me ensinasse
Bandolim, você sabe o disfarce
Entre o rei e o bobo, a comédia da arte
O todo, a parte

E um dia na hora do fim
Diz juntinho de mim, bandolim
Tim-tim por tristeza, o elã de beleza
Que há na corda arrebentada

Bandolim, bandolim, bandolim
Recorda
Bandolim, diz que não, diz que sim
Discorda

Áudio Leila Pinheiro

sábado, 5 de setembro de 2009

Samba de Um Breque

SAMBA DE UM BREQUE
(Guinga - Aldir Blanc)

Música pra mim
é feito o ar que eu sorvo,
a mão que eu movo
e o coração
na sístole e diástole
é a prima e o bordão
o traço de união que há
entre blues, Kalu,
a índia e o Caramuru...

O meu breque-blue
é assim uma startrek
no infinito de Bangu
um beque de subúrbio
que surfasse em Honolulu,
um jegue que no Jockey Club
com freio nos dentes
derrotasse alazões...

Chuva nas manhãs
e a música soa:
no orfeão de rãs
solfeja a lagoa,
sola um sabiá
modula a garoa,
lírios pedem bis...

...e quem tem o dom,
pega no ar,
quem sai do tom,
deixa pra lá...

Música pra mim
é um grito de socorro,
se termina eu também morro.
Ela é my body and soul
e vem o corvo do Allan Poe
e prega um nevermore geral
- cinzas, Fênix
reciclando o meu carnaval.
Música pra mim
não é um megaevento,
é um pega-pra-capar,
questão de sentimento:
o afogado em pleno mar
que agarra a mão do vento e ri,
usa o sofrimento pra poder flutuar...

Ouça Fatima Guedes cantando Samba de Um Breque aqui.