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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pequeno Circo Íntimo


Pequeno Circo Íntimo
Ivan Lins, Aldir Blanc e Paulo Emilio

Fiz essa canção
Pelo tesão que o anão
Sentia na mulher barbada.
Pelo domador
Que violou a Menina das aves
Na jaula dos animais.
Pelo espectador
E o Tatuado
Que morreram de mãos dadas
Num pacto entre anormais.

Fiz essa canção
Pela solidão
E a tristeza do palhaço.
Eis minha canção
Pela equilibrista
Que, lá em cima,
Perde o passo...
Para a bilheteira
Que bebe estricnina
Pela moça dos balões.
Todo o meu amor
Para o homem-bala
Atirado nos leões
Fiz essa canção
Pra contorcionista
Que padece da coluna
Pro engolidor de fogo
Cheio de bronquite
Que, no escuro, ainda fuma...
Pro ilusionista
Que se enforcou na estola
E viu na cartola o mar...
Pro atirador
Que voltou a faca
Contra a própria jugular
Bordei essa canção
Com o paetê
Que há no lixo aonde as glórias
Renascem: memórias

Áudio Ivan Lins e Aldir Blanc (também aqui)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Linha de Passe

Caricatura de Jonas Santos


Pega pra capá!...


Linha de Passe
João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc

Toca de tatu, linguiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu
E bolo de fubá, barriga d'água
Há um diz que tem e no balaio tem também
Um som bordão bordando o som, dedão, violação

Diz um diz que viu e no balaio viu também
Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba
Um caldo de feijão, um vatapá, e coração
Boca de siri, um namorado e um mexilhão
Água de benzê, linha de passe e chimarrão

Babaluaê, rabo de arraia e confusão...

Eh, yeah, yeah . . .
(Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu...)

Cana e cafuné, fandango e cassulê

Sereno e pé no chão, bala, camdomblé

E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão

Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria
A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia
Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau
E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal
Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval
Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs
Meu pirão primeiro é muita marmelada

Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto
E a pedalada

Quebra outro nariz, na cara do juiz
Aí, e há quem faça uma cachorrada
E fique na banheira, ou jogue pra torcida
Feliz da vida

Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu

E bolo de fubá, barriga d'água
Há um diz que tem e no balaio tem também
Um som bordão bordando o som, dedão, violação
Diz um diz que viu e no balaio viu também
Um pega lá no toma-lá-dá-cá do samba


Vídeo João Bosco com Yamandú Costa