Mostrando postagens com marcador Elis Regina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elis Regina. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de março de 2012

O Compositor Me Disse


O Compositor Me Disse
Gilberto Gil

O compositor me disse que eu cantasse distraidamente
Essa canção
Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca
Vindo do pulmão
E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento jogando as palavras
Pelo ar

O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento
Sem ligar
Pras coisas que ele quis dizer
Que eu não pensasse em mim nem em você
Que eu cantasse distraidamente como bate o coração
E que eu parasse aqui
Assim

Áudio Elis Regina

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Viena Fica na 28 de Setembro


Elis Regina: 30 anos depois...

Sem dúvida uma das melhores duplas reveladas por Elis foi João Bosco e Aldir Blanc. No mesmo ano da morte da cantora, os compositores fizeram uma homenagem a ela e a outros nomes da música brasileira na inspirada Viena Fica na 28 de Setembro, lançada no disco de João intitulado Comissão de Frente, de 1982, com a participação, além do músico mineiro (voz, violão e arranjo), do ex-marido e arranjador dos discos de Elis nos anos 1970, Cesar Camargo Mariano (Prophet V, piano Fender Rhodes, Arp Strings e arranjo).


Vale lembrar que 28 de Setembro se refere ao boulevard de mesmo nome localizado em Vila Isabel, morada no Rio de Janeiro de ilustres compositores como Noel Rosa, Orestes Barbosa, João de Barro, Almirante e, mais recentemente, Martinho da Vila, além do próprio Aldir Blanc. As calçadas do Boulevard 28 de Setembro são decoradas com pedras portuguesas representando partituras de músicas brasileiras. Coube a Almirante nos anos 1960 fazer a seleção das músicas: Cidade Maravilhosa (André Filho) - esta primeira ainda na Praça Maracanã -, O Abre Alas (Chiquinha Gonzaga), Pelo Telefone (Donga e Mauro de Almeida), Mal-Me-Quer (Cristóvão de Alencar, Armando Reis e Newton Teixeira), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Ave Maria (Ertildes Campos e Jonas Neves), Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Jura (Sinhô), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Linda Flor (Henrique Vogeler e Luís Peixoto), A Conquista do Ar (Eduardo das Neves), Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), Chão de Estrelas (Orestes Barbosa e Sílvio Caldas), Linda Morena (Lamartine Babo), A Voz do Violão (Francisco Alves e Horácio Campos), Na Pavuna (Homero Dornellas e Almirante), Primavera do Rio (João de Barro e Ernesto Nazareth), Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth), Florisbela (Nássara e Frazão) e Renascer das Cinzas (Martinho da Vila) - esta última já na Praça Barão de Drummond.

Viena Fica na 28 de Setembro
João Bosco e Aldir Blanc

Morre a luz da noite
O porre acende pra me iluminar
    numa outra cena...
Zune o vento e valsam os oitis
    no velho boulevard:
    bosques de Viena!
Escrevo carta a uma desconhecida
Com quem tive um flerte, um anjo azul...
Pobres balconistas de paquete, de ar infeliz
    são novas Bovarys...
Já perdi o expresso do oriente
    onde sempre sou
    vítima e assassino...
Tomo a carruagem e o cocheiro
    de tabela dois
    diz que é vascaíno...
Ah, triste figura, Don Quixote
    quer mais um traçado
    – cadê o Sancho?
Dá pro santo, bebe, e o passado
    volta a desfilar,
    pierrô de marcha-rancho:

...com as broncas do Ary Barroso, sem elas...
...com a bossa do Ciro Monteiro, sem ela...
...com o copo cheio de Vinícius, sem ele...
...com nervos de aço Lupicínio, sem eles...
...com as mãos do Antonio Maria, sem elas...
...com a voz do Lamartine Babo, sem ela...
...com a rosa Dolores Duran, sem ela...
...com a majestade da Elis, sem ela...

Áudio João Bosco e Cesar Camargo Mariano

Me Deixas Louca


Elis Regina: 30 anos depois...

Nesta postagem, Elis interpreta Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco), de Armando Manzanero com versão de Paulo Coelho. É apresentada inicialmente sua gravação em estúdio, a última de Elis, em 1981, seguida do áudio do show Trem Azul, também daquele ano, lançado no disco homônimo de 1982. Nessa gravação estão presentes os músicos Luizão Maia (baixo elétrico), Natan Marques (guitarra), Paulo Esteves (teclados), Picolé (bateria), Sérgio Henriques (teclados) e Téo Lima (bateria). Enfim são apresentados dois vídeos da música em programas da TV Bandeirantes e da Rede Globo.

Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco)
Armando Manzanero - Versão: Paulo Coelho

Quando caminho pela rua lado a lado com você
Me deixas louca
E quando escuto o som alegre do teu riso
Que me dá tanta alegria
Me deixas louca
Me deixas louca quando vejo mais um dia
Pouco a pouco entardecer
E chega a hora de ir pro quarto
E escutar as coisas lindas que começas a dizer
Me deixas louca
Quando me pedes
Por favor que nossa lâmpada se apague
Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera
Me deixas louca
E quando sinto que teus braços se cruzaram
Em minhas costas
Desaparecem as palavras
Outros sons enchendo espaço
Você me abraça, a noite passa
Me deixas louca

Áudio da última gravação em estúdio



Áudio Elis Regina e demais músicos no show Trem Azul



Vídeos Elis Regina



Rebento


Elis Regina: 30 anos depois

Rebento, de Gilberto Gil, interpretada por Elis em três momentos: na apresentação do Montreux Jazz Festival em 1979 (com Luizão Maia no baixo, Hélio Delmiro na guitarra, Chico Batera na percussão, Paulo Braga na bateria e Cesar Camargo Mariano nos teclados); no programa Grandes Nomes exibido pela Rede Globo em 1980 (com Cesar Camargo Mariano ao piano) e no disco Elis, também lançado em 1980, e também com Cesar ao piano.

Rebento
Gilberto Gil

Rebento, substantivo abstrato
O ato, a criação, o seu momento
Como uma estrela nova e o seu barato
Que só Deus sabe lá no firmamento

Rebento, tudo que nasce é rebento
Tudo que brota, que vinga, que medra
Rebento raro como flor na pedra
Rebento farto como trigo ao vento

Outras vezes rebento simplesmente
No presente do indicativo
Como a corrente de um cão furioso
Como as mãos de um lavrador ativo

Às vezes mesmo perigosamente
Como acidente em forno radioativo
Às vezes, só porque fico nervoso
Às vezes, somente porque eu estou vivo

Rebento, a reação imediata
A cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: "Bata"
A cada bofetão do sofrimento
Rebento, esse trovão dentro da mata
E a imensidão do som
E a imensidão do som
E a imensidão do som desse momento

Vídeo Elis Regina e demais músicos no Montreux Jazz Festival



Vídeo Elis Regina e Cesar Camargo Mariano no programa Grandes Nomes



Áudio Elis Regina e Cesar Camargo Mariano no álbum Elis (1980)

Alô, Alô, Marciano


Elis Regina: 30 anos depois...

Apresento nesta postagem dois vídeos com Elis interpretando Alô, Alô, Marciano, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. O primeiro é um divertido clip de 1980 e o segundo é de uma apresentação do show Saudade do Brasil daquele mesmo ano. Cito a seguir os músicos da gravação dessa música no disco Saudade do Brasil (1980), provavelmente os mesmos (ou quase) nos vídeos postados: Bocato (trombone), Cesar Camargo Mariano (teclados e arranjos), Chiquinho Brandão (flauta), Cláudio Faria (trompete), Dom Chacal (percussão), José Sagica (bateria), Kzam Gama (baixo elétrico), Lino Simão Jr. (saxofone tenor), Natan Marques (viola 12 cordas), Nonô Camargo (trompete), Otávio Bangla (clarinete e saxofone tenor), Paulo Garfunkel (clarinete e saxofone alto).

Alô, Alô, Marciano
Rita Lee e Roberto de Carvalho

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down o high society

Down, down, down
O high society

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down o high society

Down, down, down
O high society

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando russa
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola Alá
Tá cada vez mais down o high society

Down, down, down
O high society

Vídeo Elis Regina



Vídeo Elis Regina e demais músicos e bailarinos

Essa Mulher


Elis Regina: 30 anos depois

Essa Mulher, de Joyce e Ana Terra, foi gravada para o álbum Elis, Essa Mulher, de 1979. Participam dessa gravação: Altamiro Carrilho (flauta), Celso Woltzenlogel (flauta), Cesar Camargo Mariano (piano elétrico e arranjos), Cidinho (percussão), Hélio Delmiro (guitarra), Jayme Araújo (flauta), Jorginho da Flauta (flauta), Luizão Maia (baixo elétrico), Paulinho Braga (bateria) e a autora da música Joyce (violão), além de uma orquestra de cordas.

Essa Mulher
Joyce e Ana Terra

De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim feliz
De tardezinha essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em quem esbarro a toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural

Áudio Elis Regina e demais músicos

O Rancho da Goiabada


Elis Regina: 30 anos depois

Nesta postagem apresento um vídeo em que Elis interpreta O Rancho da Goiabada, de João Bosco e Aldir Blanc, número do show Tranversal do Tempo, no Teatro Brigadeiro em São Paulo, em um programa da TV Bandeirantes exibido em 1978. Participam: Cesar Camargo Mariano (teclados), Crispim Del Cistia (teclados), Dudu Portes (percussão e bateria), Natan Marques (violão?) e Sizão Machado (baixo elétrico).

O Rancho da Goiabada
João Bosco e Aldir Blanc

Os bóias-frias quando tomam
Umas biritas, espantando a tristeza
Sonham com um bife a cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão, com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo de uma mulata
Chamada Leonor ou Dagmar

Amar, o rádio de pilha, um fogão Jacaré
A marmita, o domingo, um bar
Onde tantos iguais se reúnem
Contando mentiras pra poder suportar
Ai, são pais-de-santo, paus-de-arara, são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando, dormindo de olhos abertos
À sombra da alegoria dos faraós embalsamados

Vídeo Elis Regina e demais músicos

Caxangá


Elis Regina: 30 anos depois

Caxangá, de Milton Nascimento e Fernando Brant, é interpretada por Elis no seu álbum de 1977. Participam dessa gravação, além de Elis, Milton Nascimento (voz, viola 12 cordas e violão Ovation), Crispim Del Cistia (guitarra), Dudu Portes (bateria), Natan Marques (guitarra) e Wilson Gomes (baixo elétrico). Já no ótimo vídeo também postado aqui, há a participação de Elis, junto com Dudu Portes, Natan Marques e Cesar Camargo Mariano, em um especial para a TV do Milton Nascimento naquele ano.

Caxangá
Milton Nascimento e Fernando Brant

Sempre no coração
Haja o que houver
A fome de um dia poder
Morder a carne dessa mulher

Veja bem meu patrão
Como pode ser bom
Você trabalharia no sol
E eu tomando banho de mar

Luto para viver
Vivo para morrer
Enquanto minha morte não vem
Eu vivo de brigar contra o rei

Em volta do fogo
Todo mundo abrindo o jogo
Conta o que tem pra contar
Casos e desejos
Coisas dessa vida e da outra
Mas nada de assustar
Quem não é sincero
Sai da brincadeira correndo
Pois pode se queimar, queimar

Saio do trabalh-ei
Volto para cas-ei
Não lembro de canseira maior
Em tudo é o mesmo suor

Áudio Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos (também aqui)



Vídeo Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos

Tatuagem


Elis Regina: 30 anos depois...

Tatuagem, de Chico Buarque e Ruy Guerra, é o fecho de ouro do álbum Falso Brilhante, lançado por Elis em 1976, e conta com a participação de Cesar Camargo Mariano (teclados, piano e arranjo), Crispim Del Cistia (teclados) e Wilson Gomes (baixo elétrico). Já o vídeo, na primeira parte, é um dueto de Elis e Cesar pra matar a pau.

Tatuagem
Chico Buarque e Ruy Guerra

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Eu quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, farta, murcha
Morta de cansaço

Eu quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Eu quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro, a fogo
Em carne viva

Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

Áudio Elis Regina e demais músicos



Vídeo Elis Regina e Cesar Camargo Mariano

Fotografia


Elis Regina: 30 anos depois...

Elis Regina interpreta Fotografia, de Tom Jobim, no antológico Elis & Tom, de 1974. Apresento nesta postagem o áudio original e a versão alternativa lançada somente 30 anos depois. Segundo o encarte dessa edição de 2004, participam de ambas as versões: Elis Regina (voz), Hélio Delmiro (guitarra), Luizão Maia (baixo) e Paulinho Braga (bateria). Na versão original estão também Cesar Camargo Mariano (piano elétrico) e Chico Batera (percussão) e na versão alternativa, Tom Jobim (piano e violão) e Oscar Castro Neves (violão). Na verdade, pelo encarte, não é claro se Cesar Camargo Mariano participa ou não da versão alternativa. Seu nome está creditado em Arranjos, piano e piano elétrico* (*exceto Fotografia) para as músicas Bonita e Fotografia (versão alternativa), mas não sei se a exceção simbolizada pelo asterisco se refere aos arranjos, piano e piano elétrico ou apenas ao piano elétrico, daí a minha dúvida.

Fotografia
Tom Jobim

Eu, você, nós dois
Aqui nesse terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz
Escureceu
O sol caiu no mar
E aquela luz lá embaixo se acendeu
Você e eu

Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que esse bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo...

Áudio Elis Regina e demais músicos (versão original)



Áudio Elis Regina e demais músicos (versãoalternativa) (também aqui e aqui)

Mucuripe


Elis Regina: 30 anos depois...

Elis Regina revelou vários compositores. Dentre eles, numa cajadada só, Fagner e Belchior, com a belíssima interpretação de Mucuripe, presente em um de seu melhores discos: Elis, de 1972, arranjado por Cesar Camargo Mariano. 

Mucuripe
Fagner e Belchior

As velas do Mucuripe, vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas, pras águas fundas do mar
Hoje a noite namorar, sem ter medo da saudade
E sem vontade de casar

Calça nova de riscado, paletó de linho branco
Que até o mês passado, lá no campo inda era flor
Sob o meu chapéu quebrado, um sorriso ingênuo, franco
De um rapaz novo, encantado, com vinte anos de amor

Aquela estrela é dele
Vida, vento, vela, leva-me daqui

Áudio Elis Regina

Black is Beautiful


Elis Regina: 30 anos depois...

Black is Beautiful, dos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, foi gravada por Elis em 1971 no seu álbum Ela, produzido por Nelson Motta. Participam da gravação: Hermes Contesini (percussão), Novelli (baixo elétrico), Sérgio Carvalho (órgão e piano), Wilson das Neves (bateria) e orquestra, com arranjos de Chiquinho de Moraes. No vídeo também apresentado aqui Elis, vestida de palhaço, interpreta a música no primeiro programa da série Elis Especial, com direção de Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Miele, e exibido na Rede Globo em junho daquele ano.

Black is Beautiful
Marcos Valle e Paulo Sergio Valle

Hoje cedo, na Rua do Ouvidor
Quantos brancos horríveis eu vi
Eu quero um homem de cor
Um deus negro do Congo ou daqui
Que se integre no meu sangue europeu

Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful

Hoje à noite amante negro eu vou
Enfeitar o meu corpo no teu
Eu quero este homem de cor
Um deus negro do Congo ou daqui
Que se integre no meu sangue europeu

Áudio Elis Regina e demais músicos (também aqui)



Vídeo Elis Regina no programa Elis Especial no. 1

Você


Elis Regina: 30 anos depois...

Nesta postagem duas gravações de Você, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. A primeira é do disco Aquarela do Brasil, que Elis Regina gravou na Suécia ao lado do músico belga Toots Thielemans, em 1969. Além de Elis (voz) e Toots (assobio), também participam dessa gravação: Antônio Adolfo (piano), Hermes Contesini (percussão), Jurandir Meirelles (contrabaixo), Roberto Menescal (guitarra) e Wilson das Neves (bateria). Já a segunda versão da música, vertida para o inglês por Ray Gilbert, é do disco Elis Regina in London, outra gravação na Europa naquele mesmo ano. Salvo Toots, todos os músicos da versão sueca participam aqui acompanhados por uma orquestra inglesa regida pelo maestro Peter Knight.

Você
Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli

Manhã de tudo meu
Que cedo entardeceu
De quem a vida eu sou
E sei mais eu serei

Um beijo bom de sal
Em cada tarde vã
Virá sorrindo de manhã

Você
Você
Você

Tristeza que eu criei
Sonhei você pra mim
Vem mais pra mim, mas só

Um riso rindo a luz
A paz de céus azuis
Sereno bem de amor em mim

Áudio Elis Regina, Toots Thielemans e demais músicos



Você
Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli - versão: Ray Gilbert

Você
Manhã de todo meu
Você
When you go passing by
Você
I know the reason why
But how can I explain
Você
Can you explain the sea
Você
A sparrow in a tree
Or why somebody cares for you

Você
You look in someone's face
Você
And find your loving place
Você
Two waiting arms to hurry to
Você
There's no explaining love
Or all the wonders are
A simple Y-O-U

Você
Você
Você...

Áudio Elis Regina e demais músicos acompanhados por orquestra

Louvação


Elis Regina: 30 anos depois...

Em seguida ao grande sucesso do programa de televisão Dois na Bossa e do disco gravado ao vivo no Teatro Paramount (SP), a gravadora da dupla Elis Regina e Jair Rodrigues resolveu lançar o álbum Dois na Bossa Número 2, também gravado ao vivo, mas dessa vez no Teatro Record (SP), em 1966, do qual selecionei para esta postagem o ótimo dueto em Louvação, composição de Gilberto Gil e Torquato Neto, com o acompanhamento do Bossa Jazz Trio: Amilson Godoy (piano), Jurandir Meirelles (contrabaixo) e José Roberto Sarsano (bateria).

Louvação
Gilberto Gil e Torquato Neto

Vou fazer a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção - atenção, atenção
E me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado

E louvo pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
Na vida pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve à esperança

Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não para
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado

Tô fazendo a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado
Quem tiver me escutando - atenção, atenção
Que me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado

Louvo agora e louvo sempre
Porque grande sempre é
Louvo a força do homem
A beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra

Louvo a amizade do amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer

Tô fazendo a louvação - louvação, louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado
Quem tiver me escutando - atenção, atenção
 Falo de peito lavado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado

Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera

Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda gente cantar

E assim fiz a louvação - louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado - ser louvado
Se me ouviram com atenção - atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando o  ruim de lado

Áudio Elis Regina, Jair Rodrigues e Bossa Jazz Trio

Dor de Cotovelo


Elis Regina: 30 anos depois...

Dor de Cotovelo, de João Roberto Kelly, está no primeiro álbum de Elis, Viva a Brotolândia, lançado em 1961, quando tinha apenas 16 anos. Acompanha a estreante cantora a orquestra de Severino Filho.

Dor de Cotovelo
João Roberto Kelly

Beber pra esquecer é teimosia
Hoje muito whisky, muita alegria,
Amanhã, ressaca, saco de gelo
O bar não é doutor que cure a dor-de-cotovelo

A dor pra curar não tem receita
É corcunda que se deita
Sem achar a posição
E sentir saudade não faz mal
Não é no fundo do copo
Que você vai encontrar sua moral

Áudio Elis Regina e orquestra de Severino Filho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quero


Nesse Natal...

Quero
Thomas Roth

Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável

Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris

Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua

Áudio Elis Regina

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Só Tinha de Ser Com Você


Só Tinha de Ser Com Você
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

É, só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,

Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,

Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

Vídeo Elis Regina

domingo, 27 de novembro de 2011

Noves Fora


Noves Fora
Fagner e Belchior

Ai, meu deus, o que é que faço
Tua beleza tá me carregando pelo braço

Da laranja eu quero um gomo
Do limão quero um pedaço
E da menina mais bonita
Eu quero o beijo e o abraço
É tudo ou nada
Noves fora, nada

Já rezei até pro meu santo
Na terra do Canindé
Que me dê amor bem grande
Que pequeno não dá pé
É tudo ou nada
Noves fora, nada

A tua falta somada
A minha vida tão diminuída
Com esta dor multiplicada
Pelo fator despedida

Deixou minh'alma muito dividida
Em frações tão desiguais
E desde a hora em que você foi embora
Eu sou um zero e nada mais

Um, dois, três, ene, infinito
Do meu lado esquerdo você que é demais

Vídeo Elis Regina

domingo, 25 de setembro de 2011

Redescobrir


Redescobrir
Gonzaguinha

Como se fora brincadeira de roda
Memória
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias
O suor dos corpos na canção da vida
História
O suor da vida no calor de irmãos
Magia
Como um animal que sabe da floresta
Memória
Redescobrir o sal que está na própria pele
Macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa
Magia
Vai o bicho homem fruto da semente
Memória
Renascer da própria força a própria luz e fé
Memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
História
Somos a semente, ato, mente e voz
Magia
Não tenha medo, meu menino povo
Memória
Tudo principia na própria pessoa
Beleza
Vai como a criança que não teme o tempo
Mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor
Magia

Áudio Elis Regina  e coro



Vídeo Elis Regina e coro

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Inútil Paisagem

Foto de Dauro Veras

Inútil Paisagem
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que

De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem

Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais

De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada

Áudio Elis Regina & Tom Jobim