Mostrando postagens com marcador Fatima Guedes. Mostrar todas as postagens
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Violão
Violão
Sueli Costa e Paulo César Pinheiro
Um dia eu vi numa estrada
Um arvoredo caído,
Não era um tronco qualquer.
Era madeira de pinho
E um artesão esculpia
O corpo de uma mulher.
Depois eu vi
Pela noite
O artesão nos caminhos
Colhendo raios de lua.
Fazia cordas de prata
Que, se esticadas, vibravam
O corpo da mulher nua.
E o artesão, finalmente,
Nesta mulher de madeira
Botou o seu coração
E lhe apertou contra o peito
E deu-lhe um nome bonito
E assim nasceu o violão.
Áudio Fatima Guedes (também aqui)
Vídeo "troublecleft" (solo de violão)
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Fatima Guedes,
Paulo César Pinheiro,
Sueli Costa
domingo, 11 de setembro de 2011
Arco-Íris
Arco-Íris
Fatima Guedes
Fadas e gnomos,
Todos os duendes de todas as matas,
Todas as pedreiras, fios d'água, cachoeiras
Outras cores do íris,
São segredo nosso,
Quisera falar das coisas que não posso.
Do que faz do ar, a brisa, e a brisa de vento
E o vento de ventania.
Essa magia,
Essa força que comanda cada elemento,
É a poesia
De se recriar e de escolher o momento
De ser uma rosa,
E de ser o elfo que mora na rosa.
Ter um brilho intenso
Como o sol e como o ouro
No final do arco-íris.
Áudio Fatima Guedes
Lápis de Cor
Lápis de Cor
Fatima Guedes
Com amor, lápis de cor,
Desenhei uma casinha pra gente ir morar,
Com fumaça na chaminé
E o sol a brilhar
No canto da página.
Com amor, lápis de cera
Desenhei uma mangueira com uns passarinhos.
É difícil traçar bichinhos
Sem saber desenhar,
Mas eu tentei.
Plantei um jardim caprichado,
Um pouco estilizado, diferente.
Pus uma cerca branquinha, embora
Cerca nada tenha a ver com a gente
E foi tanto o meu empenho
Que o tal do desenho estava lindo
Com os pássaros cantando e o sol saindo
Do canto da página
Áudio Fatima Guedes
sábado, 14 de maio de 2011
Da Fazenda
My morning farm by Rory Adityawan
Da Fazenda
Fatima Guedes
Foi pra respirar orvalho ainda
Que eu puxei da cama bem cedo.
Pra molhar os pés no pasto úmido,
Pra molhar os pés no pasto úmido.
Pra seguir na trilha dos currais,
O cheiro dos bichos no vento,
O cheiro da terra na manhã dos animais,
Pela trilha afora, pelo mato adentro.
Eu ia pelo mato me arranhando o peito
Colhendo umas coisas pra poder levar
Pra minha casa.
A roça de algodão,
Os moleques correndo, bodoque e pião,
O riacho ali logo,
Um fruto temporão
E o ar de lá.
Áudio Fatima Guedes aqui
segunda-feira, 28 de março de 2011
Condenados
Condenados
Fatima Guedes
Ah, meu amor, estamos condenados
Nós já podemos dizer que somos um
Nós somos um
E nessa fase do amor em que se é um
É que perdemos a metade cada um
Ah, meu amor, estamos mais safados
Hoje tiramos mais proveito do prazer
E somos um
Quando dormimos juntos, sonhos separados
Que nós não vamos confessar de modo algum
Ah, meu amor, ah, meu amor
Quantas pequenas traições
Pobres mentiras diplomáticas de puras intenções
Estamos condenados
Ah, meu amor, de discretos pecados
Formamos esse ser tão uno divisível
Parece incrível
Que nós tentemos que ele dure eternamente
Nessas metades incompletas
Mas descentes
Áudio Fatima Guedes
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Flor-de-Ir-Embora
Flor-de-Ir-Embora
Fatima Guedes
Flor de ir embora
É uma flor que se alimenta do que a gente chora
Rompe a terra decidida
Flor do meu desejo de correr o mundo afora
Flor de sentimento
Amadurecendo aos poucos a minha partida
Quando a flor abrir inteira
Muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu
E lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
Agora esse mundo é meu
Áudio Fatima Guedes
sábado, 5 de setembro de 2009
Samba de Um Breque
SAMBA DE UM BREQUE
(Guinga - Aldir Blanc)
Música pra mim
é feito o ar que eu sorvo,
a mão que eu movo
e o coração
na sístole e diástole
é a prima e o bordão
o traço de união que há
entre blues, Kalu,
a índia e o Caramuru...
O meu breque-blue
é assim uma startrek
no infinito de Bangu
um beque de subúrbio
que surfasse em Honolulu,
um jegue que no Jockey Club
com freio nos dentes
derrotasse alazões...
Chuva nas manhãs
e a música soa:
no orfeão de rãs
solfeja a lagoa,
sola um sabiá
modula a garoa,
lírios pedem bis...
...e quem tem o dom,
pega no ar,
quem sai do tom,
deixa pra lá...
Música pra mim
é um grito de socorro,
se termina eu também morro.
Ela é my body and soul
e vem o corvo do Allan Poe
e prega um nevermore geral
- cinzas, Fênix
reciclando o meu carnaval.
Música pra mim
não é um megaevento,
é um pega-pra-capar,
questão de sentimento:
o afogado em pleno mar
que agarra a mão do vento e ri,
usa o sofrimento pra poder flutuar...
Ouça Fatima Guedes cantando Samba de Um Breque aqui.
(Guinga - Aldir Blanc)
Música pra mim
é feito o ar que eu sorvo,
a mão que eu movo
e o coração
na sístole e diástole
é a prima e o bordão
o traço de união que há
entre blues, Kalu,
a índia e o Caramuru...
O meu breque-blue
é assim uma startrek
no infinito de Bangu
um beque de subúrbio
que surfasse em Honolulu,
um jegue que no Jockey Club
com freio nos dentes
derrotasse alazões...
Chuva nas manhãs
e a música soa:
no orfeão de rãs
solfeja a lagoa,
sola um sabiá
modula a garoa,
lírios pedem bis...
...e quem tem o dom,
pega no ar,
quem sai do tom,
deixa pra lá...
Música pra mim
é um grito de socorro,
se termina eu também morro.
Ela é my body and soul
e vem o corvo do Allan Poe
e prega um nevermore geral
- cinzas, Fênix
reciclando o meu carnaval.
Música pra mim
não é um megaevento,
é um pega-pra-capar,
questão de sentimento:
o afogado em pleno mar
que agarra a mão do vento e ri,
usa o sofrimento pra poder flutuar...
Ouça Fatima Guedes cantando Samba de Um Breque aqui.
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