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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mucuripe


Elis Regina: 30 anos depois...

Elis Regina revelou vários compositores. Dentre eles, numa cajadada só, Fagner e Belchior, com a belíssima interpretação de Mucuripe, presente em um de seu melhores discos: Elis, de 1972, arranjado por Cesar Camargo Mariano. 

Mucuripe
Fagner e Belchior

As velas do Mucuripe, vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas, pras águas fundas do mar
Hoje a noite namorar, sem ter medo da saudade
E sem vontade de casar

Calça nova de riscado, paletó de linho branco
Que até o mês passado, lá no campo inda era flor
Sob o meu chapéu quebrado, um sorriso ingênuo, franco
De um rapaz novo, encantado, com vinte anos de amor

Aquela estrela é dele
Vida, vento, vela, leva-me daqui

Áudio Elis Regina

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Motivo


Motivo
Fagner em poema de Cecília Meireles

Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta

Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo

Eu sei que eu canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia eu sei que estarei mudo, mais nada
Amanhã estarei mudo, mais nada

Áudio Fagner com vocais de Amelinha

Fanatismo

Fanatismo
Fagner em poema de Florbela Espanca

Minh'alma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
Posto que és já  toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida
Passo no mundo meu amor a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando me dizem isto, toda a graça
De uma boca divina, fala em mim
E olhos postos em ti, digo de rastros

Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um deus, principio e fim

Eu, já te falei de tudo
Mas tudo isto é pouco
Diante do que sinto

Áudio Fagner

domingo, 27 de novembro de 2011

Noves Fora


Noves Fora
Fagner e Belchior

Ai, meu deus, o que é que faço
Tua beleza tá me carregando pelo braço

Da laranja eu quero um gomo
Do limão quero um pedaço
E da menina mais bonita
Eu quero o beijo e o abraço
É tudo ou nada
Noves fora, nada

Já rezei até pro meu santo
Na terra do Canindé
Que me dê amor bem grande
Que pequeno não dá pé
É tudo ou nada
Noves fora, nada

A tua falta somada
A minha vida tão diminuída
Com esta dor multiplicada
Pelo fator despedida

Deixou minh'alma muito dividida
Em frações tão desiguais
E desde a hora em que você foi embora
Eu sou um zero e nada mais

Um, dois, três, ene, infinito
Do meu lado esquerdo você que é demais

Vídeo Elis Regina

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Borbulhas de Amor (Tenho um Coração)


Borbulhas de Amor (Tenho um  Coração) (Borbujas de Amor)
Juan Luis Guerra - versão: Ferreira Gullar

Tenho um coração
Dividido entre a esperança e a razão
Tenho um coração
Bem melhor que não tivera

Esse coração
Não consegue se conter ao ouvir tua voz
Pobre coração
Sempre escravo da ternura

Quem dera ser um peixe
Para em teu límpido aquário mergulhar
Fazer borbulhas de amor pra te encantar
Passar a noite em claro
Dentro de ti

Um peixe
Para enfeitar de corais tua cintura
Fazer silhuetas de amor à luz da lua
Saciar esta loucura
Dentro de ti

Canta, coração
Que esta alma necessita de ilusão

Sonha, coração
Não te enchas de amargura

Esse coração
Não consegue se conter ao ouvir tua voz
Pobre coração
Sempre escravo da ternura

Uma noite
Para unir-nos até o fim
Cara a cara, beijo a beijo
E viver para sempre
Dentro de ti

Áudio Fagner

Noturno

Fagner por Rose


Noturno
Graco e Caio Silvio

O aço dos meus olhos e o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio mas deixaram suas marcas
Se hoje sou deserto, é que eu não sabia
Que as flores, com o tempo, perdem a força
E a ventania vem mais forte

Hoje só acredito no pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia em cada ponto de partida
Há muito me deixou, há muito me deixou

Ai, coração alado
Desfolharei meus olhos neste escuro véu
Não acredito mais no fogo ingênuo da paixão
São tantas ilusões perdidas na lembrança

Nesta estrada só quem pode me seguir sou eu
Sou eu, sou eu, sou eu...

Áudio Fagner

sábado, 13 de novembro de 2010

Traduzir-Se



Traduzir-Se
Fagner / Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Vídeo com Adriana Calcanhotto aqui.

Áudio Fagner