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domingo, 4 de março de 2012

Sangue Latino


A ótima canção Sangue Latino, de João Ricardo e Paulo Mendonça, foi interpretada em 1973 pelo grupo Secos & Molhados, composto por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gérson Conrad.

Sangue Latino
João Ricardo e Paulo Mendonça

Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo

E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa

Áudio Secos & Molhados

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Coração


Coração
Synval Silva

Coração
Governador da embarcação do amor
Coração
Meu companheiro na alegria e na dor
A felicidade procurada corre
E a esperança é sempre a última que morre

Coração que não descansa noite e dia
Sempre aguardando uma alegria
Esperando no mar desta vida
Embarcação à procura
De um porto feliz de salvação

Vídeo Ney Matogrosso

domingo, 26 de junho de 2011

Até o Fim


Até o Fim, do disco Chico Buarque de 1978, é um dos números mais divertidos da apresentação do sarau Chico Paratodos desta semana (ver release acima). Enquanto uma solista canta o primeiro verso, o coro, do qual faço parte, canta o seguinte, todos terminados em -im, com uma coreografia cuja intenção é irritar a solista. Vale lembrar também o intertexto da letra com o Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade (ver a íntegra do poema nos comentários): Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

Até o Fim
Chico Buarque

Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Áudio Chico Buarque (também aqui)



Vídeo Chico Buarque e Ney Matogrosso

sábado, 26 de março de 2011

Tigresa



Tigresa
Caetano Veloso

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem, cruel

Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta sem certeza tudo o que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e sessenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancin' Days

Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor

Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão

As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento

Áudio Gal Costa



Vídeo Caetano Veloso & Ney Matogrosso