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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caxangá


Elis Regina: 30 anos depois

Caxangá, de Milton Nascimento e Fernando Brant, é interpretada por Elis no seu álbum de 1977. Participam dessa gravação, além de Elis, Milton Nascimento (voz, viola 12 cordas e violão Ovation), Crispim Del Cistia (guitarra), Dudu Portes (bateria), Natan Marques (guitarra) e Wilson Gomes (baixo elétrico). Já no ótimo vídeo também postado aqui, há a participação de Elis, junto com Dudu Portes, Natan Marques e Cesar Camargo Mariano, em um especial para a TV do Milton Nascimento naquele ano.

Caxangá
Milton Nascimento e Fernando Brant

Sempre no coração
Haja o que houver
A fome de um dia poder
Morder a carne dessa mulher

Veja bem meu patrão
Como pode ser bom
Você trabalharia no sol
E eu tomando banho de mar

Luto para viver
Vivo para morrer
Enquanto minha morte não vem
Eu vivo de brigar contra o rei

Em volta do fogo
Todo mundo abrindo o jogo
Conta o que tem pra contar
Casos e desejos
Coisas dessa vida e da outra
Mas nada de assustar
Quem não é sincero
Sai da brincadeira correndo
Pois pode se queimar, queimar

Saio do trabalh-ei
Volto para cas-ei
Não lembro de canseira maior
Em tudo é o mesmo suor

Áudio Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos (também aqui)



Vídeo Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Meu Mestre Coração

Captured Heart by Tres Davis

Meu Mestre Coração
Milton Nascimento e Fernando Brant

Coração
Meu tambor do peito, meu amigo cordial
Fez de mim um amador
Que por um carinho sobe até o redentor
O rio que corre em mim
Vem dessa nascente seu leito natural
O amor que existe em mim
Vem desse caminho de vida que ele me traçou

Por me saber de cor
Me leva no tempo para o mundo conhecer
Território da paixão
Coração me ensina a coragem de viver
Me joga no mar de amar
Nessa água boa eu irei navegar
E eu sou um aprendiz
Que segue seu mestre aonde ele for

Meu mestre é o coração
Meu tambor do peito, meu amigo cordial
Vida e paixão

Áudio Milton Nascimento

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Coração Civil


Nesta postagem apresento o áudio da música Coração Civil, de Milton Nascimento e Fernando Brant, e também sua interpretação no musical Ser MINAS tão GERAIS, com o próprio Bituca, além dos Meninos de Araçuaí e do Grupo Ponto de Partida. Nessa apresentação, antes de Coração Civil, são citados a música Milagre dos Peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant), o poema Visões, de Carlos Drummond de Andrade, e a música Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges).

Quero a utopia, quero tudo e mais...

Coração Civil
Milton Nascimento e Fernando Brant

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria, muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país

Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver

São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal

Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia
Eu vou levando a vida, eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar

Áudio Milton Nascimento



Vídeo Milton Nascimento, os Meninos de Araçuaí e Grupo Ponto de Partida


domingo, 7 de agosto de 2011

Aqui É o País do Futebol

 

Wilson Simonal, muito bem acompanhado pelo Som Três - grupo constituído por Cesar Camargo Mariano (piano e arranjo), Toninho Pinheiro (bateria) e Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) (contrabaixo) - além de Dom Chacal (percussão) e Simonautas (sopros), interpreta esta composição de Milton Nascimento e Fernando Brant, Aqui É o País do Carnaval. A gravação é do LP de Simonal Mexico'70, lançado naquele país por ocasião da Copa do Mundo daquele ano.
  
Aqui É o País do Futebol
Milton Nascimento e Fernando Brant

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo deste país
Ao longo das avenidas
Nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
Noventa minutos
De emoção e alegria
Esqueça a casa e o trabalho
A vida fica lá fora
E tudo fica lá fora
Inferno fica lá fora
As dores ficam lá fora

Áudio Wilson Simonal e demais músicos

terça-feira, 24 de maio de 2011

Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)


Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)
Milton Nascimento e Fernanado Brant

Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira
E o motorneiro parava a orquestra um minuto
Para me contar casos da campanha da Itália
E do tiro que ele não levou
Levei um susto imenso nas asas da Panair
Descobri que as coisas mudam
E que tudo é pequeno nas asas da Panair

E lá vai menino xingando padre e pedra
E lá vai menino lambendo podre delícia
E lá vai menino senhor de todo o fruto
Sem nenhum pecado sem pavor
O medo em minha vida nasceu muito depois
Descobri que minha arma é o que a memória guarda
Dos tempos da Panair

Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere no coração
Nada de novo existe neste planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar

E aquela briga e aquela fome de bola
E aquele tango e aquela dama da noite
E aquela mancha e a fala oculta
Que no fundo do quintal morreu
Morri a cada dia dos dias que eu vivi
Cerveja que tomo hoje é apenas em memória
Dos tempos da Panair
A primeira Coca-Cola foi me lembro bem agora
Nas asas da Panair
A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo
Nas asas da Panair

Nada de triste...

Em volta dessa mesa velhos e moços
Lembrando o que já foi
Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual
Em volta dessas mesas existe a rua
Vivendo seu normal
Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais
Em volta da cidade...

Vídeo Elis Regina

domingo, 8 de maio de 2011

Para Lennon e McCartney


Imagem capturada do site Museu Clube da Esquina (clique para ampliar)

Os quadrinhos acima são de Laudo Ferreira Jr. (texto e desenhos), com colaboração de Omar Viñole (cor e arte final), e contam a história do Clube da Esquina tendo como referência o livro Os Sonhos Não Envelhecem, de Márcio Borges. Na história acima, é contada como surgiu a composição Para Lennon e McCartney. Até me deu uma vontade de comer macarronada hehehe. Para visualizar outras histórias do Clube, clique aqui.  

Para Lennon e McCartney
Lô Borges, Fernando Brant e Márcio Borges

Porque vocês não sabem
Do lixo ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver

Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da solidão
Todo dia é dia de viver

Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês nem vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou o mundo, sou Minas Gerais

Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa mais temer
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver

Vídeo Lô Borges



Vídeo Milton Nascimento



Áudio Elis Regina

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Canção da América (Unencounter)


 Canção da América (Unencounter)
Milton Nascimento e Fernando Brant

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Vídeo Milton Nascimento

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Que Foi Feito Devera - O Que Foi Feito De Vera



O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento e Fernando Brant

O que foi feito, amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor
Quisera encontrar
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás

Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
E o que foi feito
É preciso conhecer
Para melhor prosseguir

Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz


O Que Foi Feito De Vera
Milton Nascimento e Márcio Borges

Alertem todos alarmas
Que o homem que eu era voltou
A tribo toda reunida
Ração dividida ao sol
De nossa Vera Cruz,
Quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par

Quando o cansaço era rio
E rio qualquer dava pé
E a cabeça rolava num gira-girar de amor
E até mesmo a fé
Não era cega nem nada
Era só nuvem no céu e raiz

Hoje essa vida só cabe
Na palma da minha paixão
De Vera nunca se acabe
Abelha fazendo o seu mel
No canto que criei
Nem vá dormir como pedra
E esquecer o que foi feito de nós

Áudio Elis Regina e Milton Nascimento

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

San Vicente


Não sei por quê, mas esssa música não saiu da minha cabeça essa semana.

San Vicente
Milton Nascimento / Fernando Brant

Coração americano
Acordei de um sonho estranho
Um gosto, vidro e corte
Um sabor de chocolate
No corpo e na cidade
Um sabor de vida e morte
Coração americano
Um sabor de vidro e corte

A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
Estava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Um sabor de vidro e corte

Unhnhnhnh...
As horas não se contavam
E o que era negro anoiteceu
Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente
Coração americano
Um sabor de vidro e corte

Lararararairai...

Vídeo Milton Nascimento

domingo, 7 de novembro de 2010

Ponta de Areia



Ponta de Areia
Milton Nascimento - Fernando Brant

Ponta de areia ponto final
Da Bahia-Minas estrada natural
Que ligava Minas ao porto ao mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra do povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças flores janelas e quintais
Na praça vazia um grito um ai
Casas esquecidas viúvas nos portais

Vídeo: Boca Livre


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Encontros e Despedidas



Se alguns se vão... outros outubros virão, outras manhãs plenas de céu e de luz, como diz a música de Milton Nascimento e Fernando Brant (ver post). Nesta postagem mais uma composição da dupla, cuja letra versa sobre o imbricamento desses momentos de despedida (tema da semana passada) e chegada, afinal : são só dois lados da mesma viagem, o trem que chega é o mesmo trem da partida... Minha gravação favorita dessa música é a versão do próprio Milton (de 1985), que também conta com a participação do flautista Hubert Laws.

Encontros e Despedidas
Milton Nascimento - Fernando Brant

Mande notícias
Do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando...

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero...

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais...

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir...

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

Lá lá Lá Lá Lá...

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

Áudio Milton Nascimento