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terça-feira, 6 de março de 2012

Melodia Sentimental


Da suíte sinfônica A Floresta do Amazonas (1958), Melodia Sentimental, de Heitor Villa-Lobos sobre poema de  Dora Vasconcelos, possui várias interpretações, das quais selecionei a de João Bosco (voz, violão e arranjo) e Marco Pereira (violões, violão 8 cordas) no disco de João intitulado Dá Licença, Meu Senhor, de 1995.

Melodia Sentimental
Heitor Villa-Lobos e Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

Áudio João Bosco e Marco Pereira

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Desenho de Giz


Desenho de Giz, de João Bosco e Abel Silva, foi gravada por João no seu disco Ai Ai Ai de Mim, de 1986. Além da voz e do violão do mineiro de Ponte Nova, participam Eduardo Del Barrio (DX-7 e JX-8P) e Nico Assumpção (contrabaixo). É uma das minhas favoritas dos seus shows, como pode ser conferido no vídeo também postado.

Desenho de Giz
João Bosco e Abel Silva

Quem quer viver um amor
Mas não quer suas marcas
Qualquer cicatriz

Ah, ilusão, o amor
Não é risco na areia
Desenho de giz

Eu sei que vocês vão dizer
A questão é querer
Desejar, decidir

Aí, diz o meu coração
Que prazer tem bater
Se ela não vai ouvir

Aí minha boca me diz
Que prazer tem sorrir
Se ela não me sorrir também

Quem pode querer ser feliz
Se não for por um bem
De amor

Cantar, mas me digam pra quê
E o que vou sonhar
Só querendo escapar à dor

Quem pode querer ser feliz
Se não for por amor

Áudio João Bosco e demais músicos



Vídeo João Bosco

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Viena Fica na 28 de Setembro


Elis Regina: 30 anos depois...

Sem dúvida uma das melhores duplas reveladas por Elis foi João Bosco e Aldir Blanc. No mesmo ano da morte da cantora, os compositores fizeram uma homenagem a ela e a outros nomes da música brasileira na inspirada Viena Fica na 28 de Setembro, lançada no disco de João intitulado Comissão de Frente, de 1982, com a participação, além do músico mineiro (voz, violão e arranjo), do ex-marido e arranjador dos discos de Elis nos anos 1970, Cesar Camargo Mariano (Prophet V, piano Fender Rhodes, Arp Strings e arranjo).


Vale lembrar que 28 de Setembro se refere ao boulevard de mesmo nome localizado em Vila Isabel, morada no Rio de Janeiro de ilustres compositores como Noel Rosa, Orestes Barbosa, João de Barro, Almirante e, mais recentemente, Martinho da Vila, além do próprio Aldir Blanc. As calçadas do Boulevard 28 de Setembro são decoradas com pedras portuguesas representando partituras de músicas brasileiras. Coube a Almirante nos anos 1960 fazer a seleção das músicas: Cidade Maravilhosa (André Filho) - esta primeira ainda na Praça Maracanã -, O Abre Alas (Chiquinha Gonzaga), Pelo Telefone (Donga e Mauro de Almeida), Mal-Me-Quer (Cristóvão de Alencar, Armando Reis e Newton Teixeira), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Ave Maria (Ertildes Campos e Jonas Neves), Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Jura (Sinhô), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Linda Flor (Henrique Vogeler e Luís Peixoto), A Conquista do Ar (Eduardo das Neves), Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), Chão de Estrelas (Orestes Barbosa e Sílvio Caldas), Linda Morena (Lamartine Babo), A Voz do Violão (Francisco Alves e Horácio Campos), Na Pavuna (Homero Dornellas e Almirante), Primavera do Rio (João de Barro e Ernesto Nazareth), Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth), Florisbela (Nássara e Frazão) e Renascer das Cinzas (Martinho da Vila) - esta última já na Praça Barão de Drummond.

Viena Fica na 28 de Setembro
João Bosco e Aldir Blanc

Morre a luz da noite
O porre acende pra me iluminar
    numa outra cena...
Zune o vento e valsam os oitis
    no velho boulevard:
    bosques de Viena!
Escrevo carta a uma desconhecida
Com quem tive um flerte, um anjo azul...
Pobres balconistas de paquete, de ar infeliz
    são novas Bovarys...
Já perdi o expresso do oriente
    onde sempre sou
    vítima e assassino...
Tomo a carruagem e o cocheiro
    de tabela dois
    diz que é vascaíno...
Ah, triste figura, Don Quixote
    quer mais um traçado
    – cadê o Sancho?
Dá pro santo, bebe, e o passado
    volta a desfilar,
    pierrô de marcha-rancho:

...com as broncas do Ary Barroso, sem elas...
...com a bossa do Ciro Monteiro, sem ela...
...com o copo cheio de Vinícius, sem ele...
...com nervos de aço Lupicínio, sem eles...
...com as mãos do Antonio Maria, sem elas...
...com a voz do Lamartine Babo, sem ela...
...com a rosa Dolores Duran, sem ela...
...com a majestade da Elis, sem ela...

Áudio João Bosco e Cesar Camargo Mariano

O Rancho da Goiabada


Elis Regina: 30 anos depois

Nesta postagem apresento um vídeo em que Elis interpreta O Rancho da Goiabada, de João Bosco e Aldir Blanc, número do show Tranversal do Tempo, no Teatro Brigadeiro em São Paulo, em um programa da TV Bandeirantes exibido em 1978. Participam: Cesar Camargo Mariano (teclados), Crispim Del Cistia (teclados), Dudu Portes (percussão e bateria), Natan Marques (violão?) e Sizão Machado (baixo elétrico).

O Rancho da Goiabada
João Bosco e Aldir Blanc

Os bóias-frias quando tomam
Umas biritas, espantando a tristeza
Sonham com um bife a cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão, com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo de uma mulata
Chamada Leonor ou Dagmar

Amar, o rádio de pilha, um fogão Jacaré
A marmita, o domingo, um bar
Onde tantos iguais se reúnem
Contando mentiras pra poder suportar
Ai, são pais-de-santo, paus-de-arara, são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Dançando, dormindo de olhos abertos
À sombra da alegoria dos faraós embalsamados

Vídeo Elis Regina e demais músicos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tempos do Onça e da Fera (Quarador)


Tempos do Onça e da Fera (Quarador)
João Bosco e Aldir Blanc

Saindo pro trabalho de manhã
O avô vestia o sol do quarador
Tecido em goiabeiras, sabiás,
Cigarras, vira-latas e um amor.
E o amor ia ao portão pra dar adeus
De pano na cabeça, espanador...
Os netos... o quintal... Vila Isabel...
Todo o Brasil era sol, quarador.

Hoje, acordei depois do meio-dia,
Chovia, passei mal no elevador,
Ouvi na rua as garras do metrô.
O avô morreu.
Mudou Vila Isabel ou mudei eu?
Brasil...
Tá em falta o honesto sol do quarador.

Áudio João Bosco

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Terreiro de Jesus

Roda de Samba, de Carybé

Celebrando o Dia Nacional do Samba!

Terreiro de Jesus
João Bosco, Edil Pacheco e Francisco Bosco

Eu vou pro samba
No Terreiro de Jesus
Beber a luz
Rever os bambas
Uma magia me seduz
Meu coração se derrama
Tô na Bahia
Festa de rua
Na cantina da lua
Tem samba

Eu vou deixar falar
Vou mandar descer
Pode chegar sossegado
Que essa mesa é branca
Vou bater palma de mão
Com fé no coração
Eu vou de guia e tamanca
Eu sou de escorregar
Liso de doer
Tenho boca de quiabo
E casca de banana

Sou, eu sou da Saúde, eu sou de lá
Eu sou da Gamboa, Praça Mauá, sou o samba
Sou, sou da Praça Onze, eu vim de lá
Do tempo que bobo era bobo, e bamba, bamba
Eu sou, sou do Estácio, eu sou de lá
Chapéu panamá, bicolor no pé, linho branco
Sou, sou, sou do terreiro, eu vim de lá
E tô com saudade de lá, para ser franco

Dia dois
Dois de dezembro
Eu vou pra Bahia sambar
Eu vou pra lá…

Áudio João Bosco

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Na Esquina


Na Esquina
João Bosco e Francisco Bosco

Ah, eu fiquei... eu fiquei, eu fiquei, eu fiquei
Eu fiquei, eu fiquei, eu fiquei, eu fiquei lá
Eu fiquei na esquina, foi, foi na esquina
Eu fiquei, eu fiquei, eu fiquei, eu fiquei lá
Eu fiquei te esperando, foi, e ainda tô lá

Você me deu sua palavra
Disse que vinha me buscar
Na rua do fique tranquilo
É com você que eu quero estar
Eu enfeitei sua palavra
E fui correndo te esperar
Lá na esquina da promessa
Com quem manda acreditar

Ah, eu fiquei...

Naquela tarde de setembro
O sol indo dormir no mar
Alguma coisa que eu não via
Não parava de brilhar
Eu olhei dentro dos teus olhos
E vi um lago, um laço, um lar
Minha melhor fotografia
Eu nunca pude revelar

Ah, eu fiquei...

Quando eu senti que despencava
Eu te pedi pra me ajudar
Você jogou sua palavra
Pra eu poder me segurar
Tua palavra não é corda
Só fui saber em pleno ar
Teu coração não tem janela
Pra você se debruçar

Ah, eu fiquei...

Eu hoje ando pelas ruas
Mas nunca saio do lugar
Até um poste de concreto
Eu vejo me ultrapassar
E quando falam de passado
Me sinto um louco a delirar
Nunca passei daquela esquina
Quem mandou acreditar

Ah, eu fiquei...

Áudio João Bosco (também aqui)

domingo, 20 de novembro de 2011

Kid Cavaquinho


Kid Cavaquinho
João Bosco e Aldir Blanc

Oi que foi só pegar no cavaquinho
Pra nego bater
Mas seu contar o que é que pode um cavaquinho
Os home não vão crer:

Quando ele fere, fere firme
E dói que nem punhal
Quando ele invoca até parece
Um pega na geral

Genésio!
A mulher do vizinho
Sustenta aquele vagabundo

Veneno é com meu cavaquinho
Pois se eu to com ele
Encaro todo mundo
Se alguém pisa no meu calo
Puxo o cavaquinho
Pra cantar de galo

Áudio João Bosco

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bijuterias


Bar-ba-ri-da-de! Já estamos quase em setembro!

Bijuterias
João Bosco e Aldir Blanc

Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem.


Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir urgente
Ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos
Ao meu bem mostrarei
No coração,
Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem tiques, as manias
Transparentes

Transparentes
Feito bijuterias
Pelas vitrines


Da Sloper da alma

Áudio João Bosco

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Gol Anulado


Gol Anulado
João Bosco e Aldir Blanc

Quando você gritou: “Mengo!”
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar

Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente
Se garante na cozinha
E ainda é Vasco doente

Daquele gol até hoje meu rádio está desligado
Como se radiasse o silêncio do amor terminado
Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado

Vídeo Elis Regina

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bate um Balaio ou Rockson do Pandeiro



João Bosco: 65 anos! A transcrição da letra por Regina Carvalho foi obtida aqui.

Bate um Balaio ou Rockson do Pandeiro
João Bosco

Derrê derreí
Derrê derreí
Ô Carolina hum ô Carolina hum hum hum
Ô Carolina hum, ô Carolina hum hum hum
Ô zabulon lun bate um balaio
Quero é mandacaru
Ô zabulon lun bate um lubaio
Quero é mandacaru
Ô zabulon lun bate um balaio
Quero é mandacaru
Ô zabulon lun bate um lubaio
Quero é mandacaru
Aguiri guiri guiri rarulê
Azingulaga do balaio
Dungulaga dulon
Ô zabulon nocim dubabulu
Azingulaga do balaio dungulaga dulon
Ô zabulon nocim dubabulê
Azingulaba du balaio dungulaba dulon
Ô cabulon ducim du babalu
Zingulaba du balaio dungulaba dubon
Ô cara dubon (do bom)
Ô cabra dubon
Ô cabra dubon
Ô cabra dubon
Ô cabra dubon
Ô cabra dubon iéá
A - é - i - ó - u - ipsilon - lon - lon - lon
A - é - i - ó - u - ipsilon - lon - lon - lon

Vídeo João Bosco, Cesar Camargo Mariano e Nico Assumpção

Cabeça de Nego - João Balaio


João Bosco: 65 anos!

A transcrição das letras por Regina Carvalho foi obtida aqui. Notem que João cita duas composições do álbum Clementina de Jesus - Convidado Especial: Carlos Cachaça, de 1976 (no qual Quelé gravou Incompatibilidade de Gênios, de João Bosco e Aldir Blanc): Ajoelha (Batelão e Silvio) e Carreiro Bebe? (arranjo e adaptação Clementina de Jesus). Nesse mesmo disco há também Ingenuidade (Serafim Adriano), que João gravou no seu CD Não Vou Pro Céu Mas Já Não Vivo no Chão, de 2009. Cabeça de Nego e João Balaio foram lançadas no disco Cabeça de Nego, de 1986.

Cabeça de Nego
João Bosco

Cacurucai eu tô
Perrengando tô
De Aniceto é o jongo

Ô Donga Sinhô
Ô Sinhô Dongá
É gagabirô
Gagabirá

Cadá zumbambulalá
Cadá zumbambulelê
Cada zumbambuliuli
Cubá cubá iê

Ô zimba cubá cubá
Ô zimba cubão
Ô zimba cubá cubá
Hum ô zimbacu iê
Ô João da bahiana
Ô Candeia Lê uh
Ô Mãe Quelé Mãe
O iá Quelé Mãe
Ô Clementina

Ô iaopi
Ô piaoxi
O iaoxi
Ô Pixinguinha ié

Ô Batista de Fá
Ô ária de Bach
Choro de Paulo da Viola ié

Ô zimba cubá
Ô zimba cubão
É Silas de Oliveira Assunção

Ô zig digubá
Dum zig digubá ah
Som pirão som pirão

Joelha joelha
Joelha e me peça perdão
Joelha
Joelha ô
Joelha
Joelha e me peça perdão
Joelha
Taruntá mininu
Rirriri taruntá
Taruntá mininu
Nustacacá ê
Oi cavucá mininu
Oi cavucá
Nusritatá
Io gostá de taruntá
Io gostá de taruntá

Carrero bebe
Candiero também bebe
Sinhô mando dizê
Que não ensina boi bebê

Som pirão som pirão
Som pirão som pirão
Som pirão

Carrero bebe
Candiero também bebe
Sinhô mando dizer
Que não ensina boi bebê

Som pirão som pirão
Som pirão

Áudio João Bosco (também aqui)


 
João Balaio
João Bosco

Aconcá digubá gubá iguzin una una
Aconcá digubá gubá iguzin
Aconcá digubá gubá iguzin una una
Aconcá digubá gubá iguzin

Sou João Balaio
Se eu trupico eu não caio
E se eu caio
Eu não quero mais saber

Áudio João Bosco (também aqui)



Vídeo João Bosco interpreta Cabeça de Nego e João Balaio

Indeciso Coração


João Bosco: 65 anos!

Indeciso Coração
João Bosco

Solidão e liberdade
Soledade uma paixão
Que adio sine die
Por ter não
Essa tal razão
Que vem com a idade
Que vem da felicidade
Que vem de outra ilusão
Doida vez por outra
Mesmo doida
Por não ter o que fazer
Com esse indeciso coração

Fico assim
Sem saber
Quem saber terá
Pra me dizer
Pois a vida diz
Que não tem tempo
Que o amor é coisa de momento
É quando rola um turbilhão
Todo coração tem movimento
O que pra mim
Já é uma intenção

Áudio João Bosco 

Vila de Amor e Lobos

 João Bosco por Jorge Inácio

João Bosco: 65 anos!

Vila de Amor e Lobos
João Bosco

Vila
Em teus índios achei a cor
Meu coração pintou Moema
Vila
De teus vícios nasci tição
Brasa que acende o amor na canção
Ilusão é o teu nome
Em teus sinos chamei, chamei
Baladas procurei a paixão
Peço aqui
Pra ela estar
Sempre no meu lar
Música, Música
Sempre no meu lar
Se alguém quer brincar de amor
O amor falseia
O amor que a morena dá
Vareia...

Áudio João Bosco (também aqui)

Das Dores de Oratórios


João Bosco: 65 anos!

Taí uma das minhas favoritas do João Bosco! Bem que ele podia reinclui-la nos shows...

Das Dores de Oratórios
João Bosco

"Porque o amor é como fogo,
Se rompe a chama
Não há mais remédio"
Foi por amar
Que ela iô iô iô
Se amasiou com a tal solidão do lugar.
Foi por amar
Que ela iô iô iô
Só pecou nas noites de sonho ao gozar.
Foi por amar
Que ela iô iô iô
Só ficou só
Ele a deixou
Só ficará... hum! Foi por amar!
Foi no altar
Que ela iô iô iô
Noiva que um andor podia carregar.
Foi no altar
Que ela iô iô iô
Dor que a própria dor de Das Dores será.
Foi no altar
Que ela iô iô iô
Não virá?
Não.
Ele virá...
Não, não virá... hum! Foi no altar
Era um lugar
Era iô iô iô
Salvador Maria de Antonio e Pilar.
Era um lugar
Era iô iô iô
Seixo que gastou de tanto esperar.
Louca a gritar
Ela iô iô iô
Esquecer, quem há de esquecer
O sol dessa tarde... hum! Sol a gritar.

Áudio João Bosco



Vídeo João Bosco (1987)



Vídeo João Bosco (1997)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jade


João Bosco completa hoje 65 anos: Parabéns! (ouça o podcast da Radioagência Nacional aqui)


Jade
João Bosco

Aqui meu irmão
Ela é coisa rara de ver
É joia do Xá
Retina de um mar
De olhar verde já derramante
- Abriu-se Sézamo em mim!
Ah, meu irmão
Áqualouca tara que tem ímã
Mergulha no ar
Me arrasta, me atrai
Pro fundo do oceano que dá
Pra lá de Babá
Pra cá de Ali...
Pedra que lasca seu brilho
E queima no lábio
Um quilate de mel
E que deixa na boca melante
Um gosto de língua no céu
Luz, talismã
Misterioso Cubanacã
Delícia sensual de maçã
Saborosa manhã
Vou te eleger
Vou me despejar de prazer
Essa noite o que mais quero é ser
Mil e um pra você
Jade

Áudio João Bosco (também aqui)



Vídeo João Bosco



Vídeo João Bosco, Nico Assumpção e Sidinho Moreira (Daniel Filho declama O Elogio das Índias Ocidentais, de Geraldo Carneiro)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Falso Brilhante


Falso Brilhante
João Bosco e Aldir Blanc

O amor
É um falso brilhante
No dedo da debutante
O amor
É um disparate.
Na mala do mascate
Macacos tocam tambor.
O amor
É um mascarado:
A patada da fera
Na cara do domador.
O amor
Sempre foi o causador
Da queda da trapezista
Pelo motociclista
Do globo da morte.
O amor é de morte.
Faz a odalisca atear fogo às vestes
E o dominó beber águarras.
O amor é demais.
Me fez pintar os cabelos,
Me fez dobrar os joelhos,
Me faz tirar coelhos
Da cartola surrada da esperança.
O amor é uma criança.
E mesmo diante da hora fatal
O amor
Me dará forças
Pro grito de carnaval,
Pro canto do cisne,
Pra gargalhada final.

Vídeo João Bosco

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tiro de Misericórdia

 Ilustrações de Mello Menezes

Outro retrato pungente da infância na música popular é sem dúvida uma das obras-primas da dupla João Bosco e Aldir Blanc: Tiro de Misericórdia, lançada em álbum homônimo de João no ano de 1977. A capa e contracapa desse disco - surpreendentemente ainda inédito em CD - estão reproduzidas acima.

Tiro de Misericórdia
João Bosco e Aldir Blanc

O menino cresceu entra a ronda e a cana
Correndo nos beco que nem ratazana.
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
Subindo em pedreira que nem lagartixa.
Borel, juramento, urubu, catacumba,
Nas roda de samba, no eró da macumba.
Matriz, querosene, salgueiro, turano,
Mangueira, são carlo, menino mandando,
Ídolo de poeira, marafo e farelo,
Um deus de bermuda e pé-de-chinelo,
Imperador dos morro, reizinho nagô,
O corpo fechado por babalaôs.

Baixou oxolufã com as espadas de prata,
Com sua coroa de escuro e de vício.
Baixou caô-xangô com o machado de asa,
Com seu fogo brabo nas mãos de corisco.
Ogunhê se plantou pelas encruzilhadas
Com todos seus ferros, com lança e enxada.
E oxossi com seu arco e flecha e seus galos
E suas abelhas na beira da mata.
E oxum trouxe pedra e água da cachoeira
Em seu coração de espinhos dourados.
Iemanjá, o alumínio, as sereias do mar
E um batalhão de mil afogados
Iansã trouxe as almas e os vendavais,
Adagas e ventos, trovões e punhais.
Oxum-maré largou suas cobras no chão.
Soltou sua trança, quebrou o arco-íris.
Omulu trouxe o chumbo e o chocalho de guizos
Lançando a doença pra seus inimigos.
E nanã-buruquê trouxe a chuva e a vassoura
Pra terra dos corpos, pro sangue dos mortos.

Exus na capa da noite soltaram a gargalhada
E avisaram a cilada pros orixás.
Exus, orixás, menino, lutaram como puderam
Mas era muita matraca pra pouco berro.
E lá no horto maldito, no chão do pendura-saia,
Zambi menino lumumba tomba na raia
Mandando bala pra baixo contra as falanges do mal,
Arcanjos velhos, coveiros do carnaval.

– Irmãos , irmãs, irmãozinhos,
   por que me abandonaram?
   por que nos abandonamos
   em cada cruz?
– Irmãos , irmãs, irmãozinhos,
   nem tudo está consumado.
   a minha morte é só uma:
   ganga, lumumba, lorca, jesus...

Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros.
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro.
Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco.
Vou jogar nesses três que nem ele morreu:
Num jogo cercado pelos sete lados.

Áudio e vídeo João Bosco



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Títulos de Nobreza (Ademilde no Choro)


Em Títulos de Nobreza (Ademilde no Choro), uma homenagem dos compositores João Bosco e Aldir Blanc a esse gênero que também estou homenageando este mês aqui no blog, Aldir perfila na letra os títulos - de nobreza! - de várias composições do repertório do choro. É também uma homenagem à cantora Ademilde Fonseca, a Rainha do Choro, que foi a primeira intérprete a se destacar, em 1942, cantando as composições de um gênero até então quase que exclusivamente  instrumental. Diga-se de passagem que a performance vocal da cantora é impressionanente devido a velocidade com que consegue cantar as letras das composições (ver post seguinte). A gravação postada aqui é a do João Bosco (violão), muito bem acompanhado por Cristóvão Bastos (piano e arranjo), Gilberto D'Ávila (pandeiro), Luciana Rabello (cavaquinho) e Raphael Rabello (violão 7 cordas).

Títulos de Nobreza (Ademilde no Choro)
João Bosco e Aldir Blanc

Tira a poeira das reminiscências
Simplicidade e lamento, jamais
Pérolas, língua de preto, cadência
Mágoas, cristal, pedacinho do céu
Murmurando, ingênuo, migalhas de amor
Saxofone, me diz, por que choras
Ai carinhoso e brejeiro, o chorinho Odeon
Nas noites cariocas

Naquele tempo, chorei, vou vivendo
Nosso romance ainda me recordo
Flor amorosa, apanhei-te, assanhado
Numa seresta de sapato novo
Eu vascaíno, um a zero
Entre mil vibrações, Ademilde no choro

Áudio João Bosco

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mentiras de Verdade



Mentiras de Verdade
João Bosco e Aldir Blanc

Assoviei, fingi à beça
Fiz promessa e o amor não some
Criei um muro e a mesma fome
Morde os braços do adeus
Com a boca eu me despedi
Minhas mãos desdisseram: não, não
Mentira, foi tudo mentira
Você me enganou

Verdade, foi tudo verdade
Eu hoje admito:
Somos um mito, sim
Maldade e carinho
Ternura sem fim
Num laço
Coleira de cetim
Quero esquecer de mim
Ser mais você, menos do que eu...
Verdade e mentira que o amor entre nós reviveu
- E um breque é coisa nossa num samba-canção porque...

Ouça João Bosco aqui.