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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Viagem

 

Viagem
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

Oh! triteza me desculpe,
Estou de malas prontas,
Hoje, a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar

Vamos indo de carona,
Na garupa leve, de um vento macio,
Que vem caminhando,
Desde muito longe,
Lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela,
Da manhã raiada,
Que pensei perdida,
Pela madrugada,
Mas que vai escondida,
Querendo brincar

Senta nessa nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas,
Minha poesia, dançam nossa valsa,
Pelo céu, que o dia,
Fez todo bordado de raios de sol

Oh! poesia, me ajude,
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias,
Pelos campos verdes, que você batiza,
De jardins do céu

Mas, pode ficar tranquila,
Minha poesia, pois nós voltaremos,
Numa estrela guia, num clarão de lua,
Quando serenar

Ou talvez, até quem sabe,
Nós só voltaremos, num cavalo baio,
No alazão da noite, cujo nome é raio,
Raio de luar

Áudio Marisa Gata Mansa

sábado, 14 de maio de 2011

Sagarana



Sagarana
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

A ver, no em-sido
Pelos campos-claro: estórias
Se deu-passado esse caso
Vivência e memórias
Nos gerais
A honra é-que-é-que se apraz
Cada quão
Sabia sua distrição
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, ’sas passagens,
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens
Personagens
A mulher
Tinha o morenês que se quer
Verdeolhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz-que existia outro gerais
Quem o qual,
Dono seu,
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida,
No bem e no mal dividida,
Um dia ela dá o que faltou... ô, ô, ô...
É buriti
Buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi
O que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é buritirana...
A pois, que houve,
No tempo das luas bonitas,
Um moço eveio:
– Viola enfeitada de fitas.
Vinha atrás
De uns dias pra descanso e paz
Galardão:
– Mississol-redó: Falanfão.
No-que: “– se abanque...”
Que ele deu nos óio o verdejo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo
Foi desejo
Foi desejo
Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz
Quis logo querer os gerais
E a dona deles:
“– Que sim”, que ela disse, verdeal
Quem o qual,
Dono seu,
Vendo as olhâncias, no-avoo virou bicho-animal:
– Cresceu nas facas:
– O moço ficou sem ser macho
E a moça sem verde ficou ... ô, ô, ô
É buriti...
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!
Guimarães: buritizais!
Guimarães: buritizais!

Vídeo Clara Nunes