Mostrando postagens com marcador Elifas Andreato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elifas Andreato. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de julho de 2011

Não Tenha Medo, Amigo

 Capa de Elifas Andreato

Não Tenha Medo, Amigo
Martinho da Vila

Não tenha medo, amigo
Não tenha medo
É
Como falou o poetinha Vinicius
"São demais os perigos dessa vida"
Mas o sangue borbulha nas veias
E eu tenho que andar na rua
Gosto de enfrentar o mundo cara-a-cara
Olhar as pessoas no olho
Tenho que estar nos botequins, nas favelas
Nos palcos, nas plateias
Nos campos, nas cidades, nos sertões
Aqui e acolá, como gente
Pés no chão, no meio do povo
Cautelosamente sem cautela
Receiosamente sem receio
Distraidamente distraído
Mas sem medo

Não tenha medo, meu amigo, não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo

Admiro medrosos sem medo
Detesto valentes
De heróis desconfio
Do mundo eu não tenho medo
Mas viver a vida é um desafio
Não tenha medo
Não tenha medo, amigo

É, amigo
A vida é um segmento de reta sinuoso
Um vai e vem
Todo mundo tem que ser viandante
Pois "barco parado não faz frete"
- Tá lá nos caminhões
Fé em deus e pé na tábua
Seguindo o destino
Moldando o destino, transando com ele
Sem medo do que você tem e do que você pode ter
Do que você é e do que você será
Vá em frente amigo
Amando a mulher amada
Dando amor a muitas mulheres
Caminhando em busca do infinito
Sem mitos, sem metas
Sem medo

Não tenha medo
Porque o medo é o seu maior inimigo

Não tenha medo de ficar doente
De ser impotente
Ou de levar um chifre
Confie no amor da amante
E na honestidade da mulher de casa
Não é mais tempo do duelo nobre
Ou de lavar a honra com florete ou sabre
Não tenha medo do clamor divino
E nem do capeta e seu inferno em brasa

Áudio Martinho da Vila (também aqui)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dois de Fevereiro

 ilustração de Elifas Andreato

Dois de Fevereiro
Dorival Caymmi

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Yemanjá

Eu mandei um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou

Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou...

Áudio Dorival Caymmi


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quando o Samba Acabou

 Noel Rosa por Elifas Andreato

Quando o Samba Acabou
Noel Rosa

Lá no morro da Mangueira
Bem em frente a ribanceira
Uma cruz a gente vê

Quem fincou foi a Rosinha
Que é cabrocha de alta linha
E nos olhos tem seu não sei quê

Numa linda madrugada
Ao voltar da batucada
Pra dois malandros olhou a sorrir

Ela foi se embora
Os dois ficaram
E depois se encontraram
Pra conversar e discutir

Lá no morro
Uma luz somente havia
Era lua que tudo assistia
Mas quando acabava o samba se escondia

Na segunda batucada
Disputando a namorada
Foram os dois improvisar

E como em toda façanha
Sempre um perde e outro ganha
Um dos dois parou de versejar
E perdendo a doce amada
Foi fumar na encruzilhada
Passando horas em meditação

Quando o sol raiou
Foi encontrado
Na ribanceira estirado
Com um punhal no coração

Lá no morro uma luz somente havia
Era Sol quando o samba acabou
De noite não houve lua
Ninguém cantou


Áudio Cristina Buarque

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Adeus

 ilustração: Elifas Andreato

ADEUS 
Dorival Caymmi

Adeus vivo sempre a dizer, adeus
Adeus, pois não posso esquecer, adeus
Inda me lembro de um lenço de longe acenando pra min
Talvez com indiferença sem pena de min
Adeus quando olho pro mar adeus
Adeus quando vejo luar adeus
Tudo que é belo na vida recorda um amor que perdi
Tudo recorda uma vida feliz que eu vivi
Ai adeus, ai adeus,
Palavra triste que recorda uma ilusão
Uma tristeza guardo em meu coração
E a saudade pra martirizar no meu peito já veio morar só pra me ver chorar
Ai adeus, ai adeus
Palavra triste que recorda uma ilusão
Uma tristeza guardo em meu coração
E a saudade pra martirizar
No peito já veio morar só pra me ver chorar