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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Luiza


Hoje assisti no cinema o filme A Música Segundo Tom Jobim, de sua neta Dora Jobim (ouvir sua entrevista sobre o filme aqui) e de Nelson Pereira dos Santos (ver trailer do filme aqui e vídeo homônimo também dirigido por Nelson sobre Tom, em 1984, aqui). Realmente um arraso. Meu sonho de fazer um documentário musical, sem entrevistas, estava ali realizado, em sons e imagens! E durante a sessão me lembrei que coincidentemente também é aniversário do Maestro Soberano, que completaria hoje 85 anos. Escolhi para esta postagem especial uma das minhas canções favoritas: Luiza, do próprio Tom, que a interpreta nesse vídeo tocando piano.

Luiza
Tom Jobim

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

Vídeo Tom Jobim

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fotografia


Elis Regina: 30 anos depois...

Elis Regina interpreta Fotografia, de Tom Jobim, no antológico Elis & Tom, de 1974. Apresento nesta postagem o áudio original e a versão alternativa lançada somente 30 anos depois. Segundo o encarte dessa edição de 2004, participam de ambas as versões: Elis Regina (voz), Hélio Delmiro (guitarra), Luizão Maia (baixo) e Paulinho Braga (bateria). Na versão original estão também Cesar Camargo Mariano (piano elétrico) e Chico Batera (percussão) e na versão alternativa, Tom Jobim (piano e violão) e Oscar Castro Neves (violão). Na verdade, pelo encarte, não é claro se Cesar Camargo Mariano participa ou não da versão alternativa. Seu nome está creditado em Arranjos, piano e piano elétrico* (*exceto Fotografia) para as músicas Bonita e Fotografia (versão alternativa), mas não sei se a exceção simbolizada pelo asterisco se refere aos arranjos, piano e piano elétrico ou apenas ao piano elétrico, daí a minha dúvida.

Fotografia
Tom Jobim

Eu, você, nós dois
Aqui nesse terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz
Escureceu
O sol caiu no mar
E aquela luz lá embaixo se acendeu
Você e eu

Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que esse bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo...

Áudio Elis Regina e demais músicos (versão original)



Áudio Elis Regina e demais músicos (versãoalternativa) (também aqui e aqui)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estrada do Sol


Estrada do Sol
Tom Jobim e Dolores Duran

É de manhã
Vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão da dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção

Quero que você me dê a mão
Que eu vou sair por aí
Sem pensar no que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair pra ver o sol

Áudio Jane Duboc

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Derradeira Primavera


Derradeira Primavera
Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Põe a mão na minha mão
Só nos resta uma canção
Vamos, volta, o mais é dor
Ouve só uma vez mais
A última vez, a última voz
A voz de um trovador

Fecha os olhos devagar
Vem e chora comigo
O tempo que o amor não nos deu
Toda a infinita espera
O que não foi só teu e meu
Nessa derradeira primavera

Áudio Paula Morelenbaum (voz), Tom Jobim (piano, arranjo), Jaques Morelenbaum (cello, arranjo), Danilo Caymmi (flauta), Sebastião Neto (baixo elétrico), Paulo Jobim (arranjo)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Anos Dourados


Parece dezembro / De um ano dourado...

Anos Dourados
Tom Jobim e Chico Buarque

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Áudio Maria Bethânia



Áudio Chico Buarque e Tom Jobim

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Só Tinha de Ser Com Você


Só Tinha de Ser Com Você
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

É, só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,

Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,

Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

Vídeo Elis Regina

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Só Danço Samba


Só Danço Samba
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
   

Só danço samba
Só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba
Só danço samba
Vai

Já dancei o twist até demais
Mas não sei
Me cansei
Do calipso
Ao chá-chá-chá

Áudio Tom Jobim (também aqui)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Samba de Uma Nota Só

 Partitura completa aqui

Samba de Uma Nota Só
Tom Jobim e Newton Mendonça

Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só
Esta outra é consequência
Do que acabo de dizer
Como eu sou a consequência
Inevitável de você

Quanta gente existe por aí
Que fala tanto e não diz nada
Ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala
E no final não sobrou nada
Não deu em nada

E voltei prá minha nota
Como eu volto pra você
Vou cantar com a minha nota
Como eu gosto de você
E quem quer todas as notas
Ré, mi, fá, sol, lá, si, dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só

Áudio e vídeo João Gilberto



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Chora Coração


Chora Coração
Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Tem pena de mim
Ouve só meus ais
Que eu não posso mais
Tem pena de mim

Quando o dia está bonito
Ainda a gente se distrai
Mas que triste de repente
Quando o véu da noite cai
Aqui fora está tão frio
E lá dentro está também
Não há tempo mais vazio
Do que longe do meu bem

Olho o céu, olho as estrelas
Que beleza de luar
Mas é tudo uma tristeza
Se eu não posso nem contar
O relógio bate as horas
Diz baixinho ela não vem
Ai de mim de tão altivo
Fiquei só sem o meu bem

Chora coração
Ouve só meus ais
Eu não posso mais
Chora coração

Áudio Tom Jobim e Paula Morelenbaum

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sei Lá... A Vida Tem Sempre Razão


A hora do sim é um descuido do não!

Sei Lá... A Vida Tem Sempre Razão
Toquinho e Vinicius de Moraes

Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
E começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Eu só sei que ela está com a razão

Ninguém nunca sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não

Sei lá, sei lá
Eu só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

Áudio Tom Jobim, Miúcha e Chico Buarque

sábado, 10 de setembro de 2011

Retrato em Branco e Preto


Retrato em Branco e Preto
Tom Jobim e Chico Buarque

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

Áudio Chico Buarque

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Inútil Paisagem

Foto de Dauro Veras

Inútil Paisagem
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que

De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem

Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais

De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada

Áudio Elis Regina & Tom Jobim

domingo, 17 de julho de 2011

O Rio da Minha Aldeia


O português Fernando Pessoa realizou uma das produções literárias mais fascinantes na minha opinião ao se fragmentar em vários eus, seus heterônimos e semi-heterônimos. Em 1985 Elisa Byington e Olivia Hime produziram o LP intitulado A Música em Pessoa, com poemas do escritor português musicados e interpretados por vários compositores, músicos, cantores e atores, dentre eles Tom Jobim, que musicou o ótimo poema O Tejo É Mais Belo, do heterônimo Alberto Caeiro, de cuja poesia também gosto muito. A seguir apresento a letra do poema e o áudio com a gravação do próprio Tom (piano e voz), que lhe modificou o título para O Rio da Minha Aldeia. O arranjo é de Paulo Jobim e há a participação de uma orquestra de cordas (violinos, violas e cellos). Outras faixas do disco serão postadas durante esta semana.


O Rio da Minha Aldeia
Poema de Alberto Caeiro, musicado por Tom Jobim

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Áudio Tom Jobim

sábado, 11 de junho de 2011

Chega de Saudade

Compacto Chega de Saudade de João Gilberto (1958)

Lançado em agosto de 1958, o compacto Odeon 78rpm de João Gilberto com Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, de um lado, e Bim Bom, composição do próprio João Gilberto, do outro, foi um divisor de águas na música popular produzida no Brasil, como revela o depoimento de vários músicos como Caetano Veloso, Chico Buarque, Nelson Motta dentre muitos outros. A batidada do violão e a interpretação minimalista de João Gilberto fizeram a cabeça de toda uma geração com impactos que ressoam até hoje. Dessa gravação histórica participam João Gilberto (voz e violão), Copinha (Nicolino Cópia) (flauta), Milton Banana (bateria), Tom Jobim (piano, arranjo e regência) e orquestra. Este post e os dois seguintes são uma homenagem aos 80 anos de João Gilberto, completados ontem, 10 de junho.

Chega de Saudade
Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Vai minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza, é só tristeza
E a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Áudio João Gilberto e demais músicos

domingo, 22 de maio de 2011

Pato Preto

 
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L'essentiel est invisible. On ne voit qu'avec le coeur. Esse texto de Saint-Exupéry aparece no belo encarte, com fotos de Ana Lontra Jobim, de Antonio Brasileiro (1994), último disco de Tom Jobim. É um trecho de O Pequeno Príncipe (que pode ser lido na íntegra em francês - e com links para outras línguas aqui - e em português aqui), quando a raposa diz adeus ao menino e acrescenta: "Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". Eu associo a citação de Exupéry também com a Música, essa entidade invisível e essencial que me envolve e me deixa, a cada dia, cada vez mais perto do coração selvagem...

fotos de Ana Lontra Jobim nas páginas centrais do encarte do disco Antonio Brasileiro

Neste post apresento a música Pato Preto, de Tom Jobim, do álbum mencionado acima. Note que o tema no final é o mesmo que encerra Gabriela, do post anterior. Participam desta faixa Tom Jobim (voz e piano), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Paulo Jobim (violão e viola caipira), Danilo Caymmi (flauta), Sebastião Neto (baixo), Paulo Braga (bateria e percussão), Duduka da Fonseca (percussão) e nos vocais Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Simone Caymmi, Maúcha Adnet e Paula Morelenbaum.       

Pato Preto 
Tom Jobim

O pato preto de asa branca
Já fez morada no brejão
Isso é sinal que a chuva vem
Que vai ter safra no sertão

O pato preto é da floresta
O paturi é do sertão
A minha vida é cardigueira
Avoante arribação

A minha vida é muito triste
A te esperar na solidão
Ah! se eu soubesse que era assim
Eu juro, eu não casava não

Eu vou me embora pra São Paulo
Vou arranjar uma viração
Depois te pego com as crianças
A sanfona e o violão

E os meninos tão bonitos
Inocentes do sertão
E a danada desta seca
Ai meu Deus que judiação
Leva nós lá pra São Paulo
Aqui não fico mais não

A minha vida é só tristeza
É desespero, é solidão
O Zeca foi lá pra São Paulo
Acho que não volta mais não

Era uma nuvem tão bonita
Era uma rosa era um balão
O camiranga deu uma volta
E sumiu na imensidão

Ó o dandá, ó o dandá
Ó o dandá, ó o dandá
O dandá, ó o dandá

É na corda da viola todo mundo sambar
É na corda da viola todo mundo sambar
Todo mundo sambar
Todo mundo sambar
Ei, andei, andei, andei
Quebra pedra

Áudio Tom Jobim

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gabriela

clique na foto para ampliar

Na última sexta cheguei em casa e fui assistir TV. Zapeando pelos canais, de repente não acreditei no que tava passando no Canal Viva: Tom Jobim e a Nova Banda no programa Chico & Caetano, que foi ao ar em 1986 na Globo. Eles estavam apresentando Gabriela, que é o Tema de Amor de Gabriela, do Tom, da trilha do filme Gabriela, Cravo e Canela (1983), de Bruno Barreto, seguido de um trecho de Do Pilá (Do Pilar), de Jararaca, Augusto Calheiros e Zé do Bambo, e encerrando com um tema que também aparece no final de Pato Preto, de Tom, em seu último álbum, Brasileiro, de 1994. Simplesmente linda a apresentação!! Teve um momento que até o Caetano se deitou no chão estarrecido. Os programas Chico & Caetano vão ao ar nas sextas às 22h, com horário alternativo aos domingos às 21h.  Procurei essa apresentação no YouTube, mas não a encontrei. Porém, há o vídeo postado aqui da apresentação no Canadá, do mesmo ano, também com Tom Jobim (voz e piano) e a Nova Banda: Jaques Morelenbaum (violoncelo), Paulo Jobim (violão), Danilo Caymmi (voz e flauta), Sebastião Neto (baixo), Paulo Braga (bateria) e nos vocais Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Simone Caymmi, Maúcha Adnet e Paula Morelenbaum. Gabriela também está presente no álbum Passarim (1987), de Tom com a Nova Banda.

Gabriela
Tom Jobim

Vim do norte vim de longe
De um lugar que já nem há
Vim dormindo pela estrada
Vim parar neste lugar
Meu cheiro é de cravo
Minha cor de canela
A minha bandeira
É verde e amarela
Pimenta de cheiro
Cebola em rodela
Um beijo na boca
Feijão na panela
Gabriela
Sempre Gabriela

Passei um café inda escuro
E logo me pus a caminho
Eu quero rever Gabriela
De novo provar seu cheirinho
Manhã bem cedinho na mata
O sol derramou seu carinho
Um brilho na folha da jaca
Pensei em rever meu benzinho
Gabriela

Se ainda sobrasse um dinheiro
Podia comprar-te um vestido
E mais um vidrinho de cheiro
Contar-te um segredo no ouvido
Te trouxe um anel verdadeiro
Sonhei que era teu preferido
Pensei, repensei tanta coisa
Ah, me deixa ser teu marido
Pensei, repensei tanta coisa
Queria casar-me contigo
Gabriela
Gabriela
Todos os dias esta saudade
Felicidade cadê você
Já não consigo viver sem ela
Eu vim à cidade pra ver Gabriela

Tenho pensado muito na vida
Volta bandida mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdoo com raiva e amor
Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha a tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal

Mas quem sou eu nesta vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor

Em noite sem lua, pulei a cancela
Cai do cavalo, perdi Gabriela
Oh lua de cera, oh lua singela
Lua feiticeira cadê Gabriela?

Ontem vim de lá do Pilar
Inda ontem vim lá do Pilar
Já tô com vontade de ir por aí
Ontem vim de lá
Inda ontem vim de lá
Já tô com vontade de ir por aí

E na corda da viola todo mundo sambar
E na corda da viola todo mundo sambar
Todo mundo sambar
Todo mundo sambar
Ei, andei, andei, andei
Quebra pedra

Vídeo Tom Jobim e Nova Banda no Canadá

Boto (Porpoise)


A carta acima, obtida aqui, foi redigida a mão por Jararaca autorizando Tom Jobim a incluir o tema de sua música Do Pilar (Do Pilá) na composição Boto, lançada por Tom em seu álbum Urubu, de 1976. Participam dessa gravação o próprio Tom (voz e piano elétrico), Miúcha (voz), João Palma (bateria), Ray Armando (percussão), Ron Carter (contrabaixo), com arranjo de Claus Ogerman. Também postei a versão de Elis Regina em seu disco Transversal do Tempo, de 1978. Participam: Cesar Camargo Mariano (teclados e arranjo), Crispim Del Cistia (guitarra e teclados), Dudu Portes (percussão), Natan Marques (violão) e Sizão Machado (baixo elétrico).

Boto (Porpoise)
Tom Jobim e Jararaca

Na praia de dentro tem areia
Na praia de fora tem o mar
Um boto casado com sereia
Navega num rio pelo mar

O corpo de um bicho deu na praia
E a alma perdida quer voltar
Caranguejo conversa com arraia
Marcando a viagem pelo ar

Ainda ontem vim de lá do Pilar
Ainda ontem vim de lá do Pilar
Já tô com vontade de ir por aí

Ontem vim de lá do Pilar
Ontem vim de lá do Pilar
Com vontade de ir por aí

Na ilha deserta o sol desmaia
Do alto do morro vê-se o mar
Papagaio discute com jandaia
Se o homem foi feito pra voar

Cristina, Cristina
Cristina, Cristina
Desperta, desperta
Desperta, desperta
Vem cá

ah - ah

(orquestra)

Inhambu cantou lá na floresta
E o velho jereba fêz-se ao ar
Sapo querendo entrar na festa
Viola pesada pra voar

Ainda ontem etc...
Ontem vim etc...

Camiranga urubu mestre do vento
Urubu caçador mestre do ar
Urutau cantando num lamento
Pra lua redonda navegar

Ainda ontem etc...
Ontem vim etc...

ah - ah

Na enseada negra vista em sonho
Dorme um veleiro sobre o mar
No espelho das aguas refletido
Navega um veleiro pelo ar

Áudio Tom Jobim e Miúcha (também aqui)



Áudio Elis Regina (também aqui)


sábado, 14 de maio de 2011

Matita Perê


ilustração de Paulo Jobim no encarte do disco Matita Perê, de Tom Jobim (1973)

Matita Perê
Tom Jobim e Paulo César Pinheiro

No jardim das rosas
De sonho e medo
Pelos canteiros de espinhos e flores
Lá, quero ver você
Olerê, Olará, você me pegar

Madrugada fria de estranho sonho
Acordou João, cachorro latia
João abriu a porta
O sonho existia

Que João fugisse
Que João partisse
Que João sumisse do mundo
De nem Deus achar, Ierê

Manhã noiteira de força viagem
Leva em dianteira um dia de vantagem
Folha de palmeira apaga a passagem
O chão, na palma da mão, o chão, o chão

E manhã redonda de pedras altas
Cruzou fronteira de servidão
Olerê, quero ver
Olerê

E por maus caminhos de toda sorte
Buscando a vida, encontrando a morte
Pela meia rosa do quadrante Norte
João, João

Um tal de Chico chamado Antônio
Num cavalo baio que era um burro velho
Que na barra fria já cruzado o rio
Lá vinha Matias cujo o nome é Pedro
Aliás Horácio, vulgo Simão
Lá um chamado Tião
Chamado João

Recebendo aviso entortou caminho
De Nor-Nordeste pra Norte-Norte
Na meia vida de adiadas mortes
Um estranho chamado João

No clarão das águas
No deserto negro
A perder mais nada
Corajoso medo
Lá quero ver você

Por sete caminhos de setenta sortes
Setecentas vidas e sete mil mortes
Esse um, João, João
E deu dia claro
E deu noite escura
E deu meia-noite no coração
Olerê, quero ver
Olerê

Passa sete serras
Passa cana brava
No brejo das almas
Tudo terminava
No caminho velho onde a lama trava
Lá no todo-fim-é-bom
Se acabou João

No Jardim das rosas
De sonho e medo
No clarão das águas
No deserto negro
Lá, quero ver você
Lerê, lará
Você me pegar

Áudio Tom Jobim (também aqui)

Borzeguim



Borzeguim
Tom Jobim

Borzeguim, deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
Hoje é sexta-feira de manhã
Hoje é sexta-feira
Deixa o mato crescer em paz
Deixa o mato crescer
Deixa o mato
Não quero fogo, quero água
(Deixa o mato crescer em paz)
Não quero fogo, quero água
(Deixa o mato crescer)
Hoje é sexta-feira da paixão sexta-feira santa
Todo dia é dia de perdão
Todo dia é dia santo
Todo santo dia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia de folia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia
O chão no chão
O pé na pedra
O pé no céu
Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar
Deixa a anta cruzar o ribeirão
Deixa o índio vivo no sertão
Deixa o índio vivo nu
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa, deixa
Escuta o mato crescendo em paz
Escuta o mato crescendo
Escuta o mato
Escuta
Escuta o vento cantando no arvoredo
Passarim passarão no passaredo
Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus é fruta do mato
Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
O jacu já tá velho na fruteira
O lagarto teiú tá na soleira
Uirassu foi rever a cordilheira
Gavião grande é bicho sem fronteira
Cutucurim
Gavião-zão
Gavião-ão
Caapora do mato é capitão
Ele é dono da mata e do sertão
Caapora do mato é guardião
É vigia da mata e do sertão
(Yauaretê, Jaguaretê)
Deixa a onça viva na floresta
Deixa o peixe n'água que é uma festa
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa
Deixa
Dizem que o sertão vai virar mar
Diz que o mar vai virar sertão
Deixa o índio
Dizem que o mar vai virar sertão
Diz que o sertão vai virar mar
Deixa o índio
Deixa
Deixa

Vídeo Tom Jobim (voz e piano), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Paulo Jobim (teclado), Danilo Caymmi (voz e flauta), Sebastião Neto (baixo) e Paulo Braga (bateria), com o vocal de Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Simone Caymmi, Maúcha Adnet e Paula Morelenbaum

domingo, 3 de abril de 2011

Meu Amigo Radamés - Meu Amigo Tom Jobim



Nesta postagem escolhi a homenagem do grande maestro Tom Jobim ao grande maestro Radamés Gnatalli. Na busca de informações sobre essa composição descobri que o maestro de Porto Alegre também homenageou o maestro do Rio de Janeiro, composição também apresentada aqui. Já a foto acima foi obtida no site Brasil Memória das Artes da Funarte.

Meu Amigo Radamés
Tom Jobim

Instrumental

Vídeo Tom Jobim & Radamés Gnatalli



Meu Amigo Tom Jobim
Radamés Gnattali

Instrumental

Áudio Radamés Gnattali & Chiquinho do Acordeom