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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Dores do Coração - Choro e Poesia - Ontem ao Luar
A polca Dores do Coração foi composta pelo flautista Pedro de Alcântara, que logo em seguida passou a denominá-la Choro e Poesia. A gravação postada aqui é dele acompanhado por Ernesto Nazareth em 1912. Poucos anos depois Catulo da Paixão Cearense colocaria letra na composição, que passaria a se chamar a hoje conhecida Ontem ao Luar, sendo gravada por um cantor então iniciante, Vicente Celestino em 1917, também postada aqui. De bônus selecionei o vídeo com a apresentação da Marisa Monte dessa canção.
Choro e Poesia (Dores do Coração)
Pedro de Alcântara
Instrumental
Áudio Pedro Alcântara & Ernesto Nazareth: ouça aqui
Ontem ao Luar (Choro e Poesia)
Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense
Ontem ao luar
Nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste
O que era dor de uma paixão
Nada respondi
Calmo assim fiquei
Mas fitando azul do azul do céu
A lua azul e te mostrei
Mostrando a ti dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e assim te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima nos olhos a sofrer
A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunto ao luar travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
pergunto ao luar do mar a canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
Se tu desejas saber o que é o amor
Sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe o monte a beira mar ao luar
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
Ouve o silêncio de um calado coração
A falar da solidão
A penar a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal a dor silente universal
E a dor maior que a dor de Deus
Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vive assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
Na teima de amar um insensível coração
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará
Áudio Vicente Celestino - ouça aqui
Vídeo Marisa Monte
terça-feira, 19 de abril de 2011
Brasileirinho - Doce Melodia - Apanhei-te Cavaquinho - Tico-Tico no Fubá - Dinorah - Urubu Malandro
Esta postagem traz Ademilde Fonseca e Waldir Azevedo, acompanhados pelo Regional do Caçulinha, apresentando um pot-pourri de choros.
Brasileirinho
Waldir Azevedo e Pereira da Costa
O brasileiro quando é do choro
É entusiasmado quando cai no samba,
Não fica abafado e é um desacato
Quando chega no salão.
Não há quem possa resistir
Quando o chorinho brasileiro faz sentir,
Ainda mais de cavaquinho,
Com um pandeiro e um violão
Na marcação.
Brasileirinho chegou e a todos encantou,
Fez todo mundo dançar
A noite inteira no terreiro
Até o sol raiar.
E quando o baile terminou
A turma não se conformou:
Brasileirinho abafou!
Até o velho que já estava encostado
Neste dia se acabou!
Para falar a verdade, estava conversando
Com alguém de respeito
E ao ouvir o grande choro
Eu dei logo um jeito e deixei o camarada
Falando sozinho. Gostei, pulei,
Dancei, pisei até me acabei
E nunca mais esquecerei o tal chorinho
Brasileirinho!
Doce Melodia
Abel Ferreira e Luis Antônio
Fiu firiu fiu
A buzina tocou
E eu corri para ver o portão
Fiu firiu fiu
Cadillac encostou mesmo na contramão
Eu entrei só pra ver
Porque o rapaz insistiu
Fiu firiu fiu
Lá na esquina da rua o carro sumiu
Fui até ao Joá
Que é tão bom
E amei ao luar
Na areia do Leblon
Fiu firiu fiu
Quando às quatro
Eu voltei
O leiteiro me olhou
E sorriu sem querer
Fiu firiu fiu
E daquela buzina não posso esquecer
Apanhei-te Cavaquinho
Ernesto Nazareth e Darci de Oliveira
Ainda me lembro do meu tempo de criança
Quando entrava numa dança
Toda cheia de esperança
De chinelo e de trança
Com o Mané e o Zé da França
Nunca tive a lembrança de rever esse chorinho
E hoje ouvindo neste choro a voz do pinho
Relembrando o bom tempinho
Da mamãe e do maninho
Hoje sou ave sem ninho
Sem família e sem carinho
Mas sou bem feliz ouvindo
O Apanhei-te, Cavaquinho!
Hoje cantando o Apanhei-te, Cavaquinho
Fico louca, fico quente
Fico como um passarinho
Sinto vontade de cantar a vida inteira
Ah! Essa vida eu levo de qualquer maneira
Ouvindo a flauta, o cavaquinho e o violão
Eu sinto que o meu coração
Tem a cadência de um pandeiro
Esqueço tudo e vou cantando o ano inteiro
Esse chorinho que é muito brasileiro
Tico-Tico no Fubá
Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros
Um tico-tico só,
Um tico-tico lá,
Está comendo,
Todo, todo meu fubá.
Olhe, Seu Nicolau,
Que o meu fubá se vai,
Pego no meu pica-pau,
E o tiro sai.
Então eu tenho pena,
Do susto que levou,
E uma cuia cheia,
De fubá eu dou.
Alegre já,
Voando e piando,
Meu fubá, meu fubá,
Saltando de lá pra cá.
Houve um dia porém,
Que ele não voltou,
E seu gostoso fubá,
O vento levou.
Triste fiquei,
Quase chorei,
Mas então vi
Logo depois,
Já não era um,
E sim já dois.
Quero contar baixinho,
A vida dos dois,
Tiveram ninho,
E filhinhos depois.
Todos agora,
Pulam ali,
Saltam aqui,
Comendo sempre o fubá,
Saltando de lá para cá...
Dinorah
Benedito Lacerda e José Ferreira Ramos
Aquela tatuagem que ele tem,
No braço esquerdo, duas letras entrelaçadas,
É o nome de alguém que ele quis,
Ele quis eu sei que quis,
Ele quis, mas já não quer,
E é até pede às pessoas amigas,
Que deixe de lado dessa linda mulher.
Se você pensa que alguém já não fez,
Essa pergunta que você me fez,
Mas aquelas duas letras,
São o resultado do amor que ele teve,
Com a Dinorah.
Essa pergunta que me fez sofrer,
Que me fez padecer, que me fez soluçar,
É o nome da musa,
Que o fez definhar....
Urubu Malandro
Louro e João de Barro
Urubu veio de cima
Com fama de dançador
Urubu chegou na sala
Tirou dama e não dançou
Ora, dança urubu
- Eu, não senhor
Tira a dama, urubu
- Eu sou doutor
Urubu chegou de fraque
Cartola e calça listrada
Urubu deixa de prosa
Vem cair na batucada
Urubu perdeu a fama
E se desmoralizou
Apanhou a melhor dama
Foi dançar e encabulou
Vídeo Ademilde Fonseca, Waldir Azevedo & Regional do Caçulinha
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