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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Caxangá
Elis Regina: 30 anos depois
Caxangá, de Milton Nascimento e Fernando Brant, é interpretada por Elis no seu álbum de 1977. Participam dessa gravação, além de Elis, Milton Nascimento (voz, viola 12 cordas e violão Ovation), Crispim Del Cistia (guitarra), Dudu Portes (bateria), Natan Marques (guitarra) e Wilson Gomes (baixo elétrico). Já no ótimo vídeo também postado aqui, há a participação de Elis, junto com Dudu Portes, Natan Marques e Cesar Camargo Mariano, em um especial para a TV do Milton Nascimento naquele ano.
Caxangá
Milton Nascimento e Fernando Brant
Sempre no coração
Haja o que houver
A fome de um dia poder
Morder a carne dessa mulher
Veja bem meu patrão
Como pode ser bom
Você trabalharia no sol
E eu tomando banho de mar
Luto para viver
Vivo para morrer
Enquanto minha morte não vem
Eu vivo de brigar contra o rei
Em volta do fogo
Todo mundo abrindo o jogo
Conta o que tem pra contar
Casos e desejos
Coisas dessa vida e da outra
Mas nada de assustar
Quem não é sincero
Sai da brincadeira correndo
Pois pode se queimar, queimar
Saio do trabalh-ei
Volto para cas-ei
Não lembro de canseira maior
Em tudo é o mesmo suor
Áudio Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos (também aqui)
Vídeo Elis Regina, Milton Nascimento e demais músicos
domingo, 30 de outubro de 2011
Bola de Meia, Bola de Gude
Bola de Meia, Bola de Gude
Milton Nascimento e Fernando Brant
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado
No meu presente
O sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente que insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia
Bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Áudio 14 Bis (também aqui)
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Meu Mestre Coração
Captured Heart by Tres Davis
Meu Mestre Coração
Milton Nascimento e Fernando Brant
Coração
Meu tambor do peito, meu amigo cordial
Fez de mim um amador
Que por um carinho sobe até o redentor
O rio que corre em mim
Vem dessa nascente seu leito natural
O amor que existe em mim
Vem desse caminho de vida que ele me traçou
Por me saber de cor
Me leva no tempo para o mundo conhecer
Território da paixão
Coração me ensina a coragem de viver
Me joga no mar de amar
Nessa água boa eu irei navegar
E eu sou um aprendiz
Que segue seu mestre aonde ele for
Meu mestre é o coração
Meu tambor do peito, meu amigo cordial
Vida e paixão
Áudio Milton Nascimento
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Coração Civil
Nesta postagem apresento o áudio da música Coração Civil, de Milton Nascimento e Fernando Brant, e também sua interpretação no musical Ser MINAS tão GERAIS, com o próprio Bituca, além dos Meninos de Araçuaí e do Grupo Ponto de Partida. Nessa apresentação, antes de Coração Civil, são citados a música Milagre dos Peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant), o poema Visões, de Carlos Drummond de Andrade, e a música Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges).
Quero a utopia, quero tudo e mais...
Coração Civil
Milton Nascimento e Fernando Brant
Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria, muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia
Eu vou levando a vida, eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar
Áudio Milton Nascimento
Vídeo Milton Nascimento, os Meninos de Araçuaí e Grupo Ponto de Partida
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Coração de Estudante
Coração de Estudante
Wagner Tiso e Milton Nascimento
Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda?
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto
Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes: planta e sentimento
Folhas, coração, juventude e fé.
Vídeo Milton Nascimento e Wagner Tiso
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domingo, 7 de agosto de 2011
Aqui É o País do Futebol
Wilson Simonal, muito bem acompanhado pelo Som Três - grupo constituído por Cesar Camargo Mariano (piano e arranjo), Toninho Pinheiro (bateria) e Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) (contrabaixo) - além de Dom Chacal (percussão) e Simonautas (sopros), interpreta esta composição de Milton Nascimento e Fernando Brant, Aqui É o País do Carnaval. A gravação é do LP de Simonal Mexico'70, lançado naquele país por ocasião da Copa do Mundo daquele ano.
Aqui É o País do Futebol
Milton Nascimento e Fernando Brant
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
Olha o sambão, aqui é o país do futebol
No fundo deste país
Ao longo das avenidas
Nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
Noventa minutos
De emoção e alegria
Esqueça a casa e o trabalho
A vida fica lá fora
E tudo fica lá fora
Inferno fica lá fora
As dores ficam lá fora
Áudio Wilson Simonal e demais músicos
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Emissário de um Rei Desconhecido
Fernando Pessoa e os heterônimos por Costa Pinheiro
A cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro (voz) e Toninho Horta (violões) interpretam Emissário de um Rei Desconhecido, poema de Fernando Pessoa que Milton Nascimento musicou para o projeto A Música em Pessoa, LP lançado em 1985 com poemas do autor português transformados em canções por Tom Jobim, Edu Lobo, Sueli Costa, Dori Caymmi, Arrigo Barnabé, dentre outros, além do Bituca.
Emissário de um Rei Desconhecido
(Passos da Cruz XIII)
Poema de Fernando Pessoa musicado por Milton Nascimento
Emissário de um Rei desconhecido,
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anômalo sentido...
Inconscientemente me divido
Entre mim e a missão que o meu ser tem,
E a glória do meu Rei dá-me desdém
Por este humano povo entre quem lido...
Não sei se existe o Rei que me mandou.
Minha missão será eu a esquecer,
Meu orgulho o deserto em que em mim estou...
Mas ah, Eu sinto-me altas tradições
De antes de tempo e espaço e vida e ser...
Já viram Deus as minhas sensações...
Áudio Eugénia Melo e Castro e Toninho Horta (também aqui)
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domingo, 29 de maio de 2011
A Terceira Margem do Rio
A Terceira Margem do Rio
Milton Nascimento e Caetano Veloso
Oco de pau que diz:
Eu sou madeira, beira
Boa, dá vau, triztriz
Risca certeira
Meio a meio o rio ri
Silencioso, sério
Nosso pai não diz, diz:
Risca terceira
Água da palavra
Água calada, pura
Água da palavra
Água de rosa dura
Proa da palavra
Duro silêncio, nosso pai
Margem da palavra
Entre as escuras duas
Margens da palavra
Clareira, luz madura
Rosa da palavra
Puro silêncio, nosso pai
Meio a meio o rio ri
Por entre as árvores da vida
O rio riu, ri
Por sob a risca da canoa
O rio riu, ri
O que ninguém jamais olvida
Ouvi, ouvi, ouvi
A voz das águas
Asa da palavra
Asa parada agora
Casa da palavra
Onde o silêncio mora
Brasa da palavra
A hora clara, nosso pai
Hora da palavra
Quando não se diz nada
Fora da palavra
Quando mais dentro aflora
Tora da palavra
Rio, pau enorme, nosso pai
Vídeo Milton Nascimento e Caetano Veloso
Áudio Caetano Veloso
Áudio Milton Nascimento
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)
Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)
Milton Nascimento e Fernanado Brant
Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira
E o motorneiro parava a orquestra um minuto
Para me contar casos da campanha da Itália
E do tiro que ele não levou
Levei um susto imenso nas asas da Panair
Descobri que as coisas mudam
E que tudo é pequeno nas asas da Panair
E lá vai menino xingando padre e pedra
E lá vai menino lambendo podre delícia
E lá vai menino senhor de todo o fruto
Sem nenhum pecado sem pavor
O medo em minha vida nasceu muito depois
Descobri que minha arma é o que a memória guarda
Dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere no coração
Nada de novo existe neste planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar
E aquela briga e aquela fome de bola
E aquele tango e aquela dama da noite
E aquela mancha e a fala oculta
Que no fundo do quintal morreu
Morri a cada dia dos dias que eu vivi
Cerveja que tomo hoje é apenas em memória
Dos tempos da Panair
A primeira Coca-Cola foi me lembro bem agora
Nas asas da Panair
A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo
Nas asas da Panair
Nada de triste...
Em volta dessa mesa velhos e moços
Lembrando o que já foi
Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual
Em volta dessas mesas existe a rua
Vivendo seu normal
Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais
Em volta da cidade...
Vídeo Elis Regina
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sábado, 14 de maio de 2011
Fazenda
Fazenda
Nelson Angelo
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
Tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá
Áudio Milton Nascimento
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Nelson Angelo
domingo, 8 de maio de 2011
Para Lennon e McCartney
Imagem capturada do site Museu Clube da Esquina (clique para ampliar)
Os quadrinhos acima são de Laudo Ferreira Jr. (texto e desenhos), com colaboração de Omar Viñole (cor e arte final), e contam a história do Clube da Esquina tendo como referência o livro Os Sonhos Não Envelhecem, de Márcio Borges. Na história acima, é contada como surgiu a composição Para Lennon e McCartney. Até me deu uma vontade de comer macarronada hehehe. Para visualizar outras histórias do Clube, clique aqui.
Para Lennon e McCartney
Lô Borges, Fernando Brant e Márcio Borges
Porque vocês não sabem
Do lixo ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês nem vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou o mundo, sou Minas Gerais
Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa mais temer
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Vídeo Lô Borges
Vídeo Milton Nascimento
Áudio Elis Regina
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Lô Borges,
Márcio Borges,
Milton Nascimento
Tudo Que Você Podia Ser
Tudo Que Você Podia Ser
Lô Borges e Márcio Borges
Com sol e chuva você sonhava
Que ia ser melhor depois
Você queria ser o grande herói das estradas
Tudo que você queria ser
Sei um segredo você tem medo
Só pensa agora em voltar
Não fala mais na bota e do anel de Zapata
Tudo que você devia ser sem medo
E não se lembra mais de mim
Você não quis deixar que eu falasse de tudo
Tudo que você podia ser na estrada
Ah! Sol e chuva na sua estrada
Mas não importa não faz mal
Você ainda pensa e é melhor do que nada
Tudo que você consegue ser ou nada
Não importa não faz mal
Você ainda pensa e é melhor do que nada
Tudo o que você consegue ser ou nada
Áudio Milton Nascimento
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Márcio Borges,
Milton Nascimento
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Menino
Criança Morta de Candido Portinari (1944)
Agora o retrato do menino é de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Lançada no disco Geraes de 1976, foi também gravada por Elis Regina em seu álbum duplo Saudade do Brasil, de 1980.
Menino
Milton Nascimento e Ronaldo Bastos
Quem cala sobre teu corpo
Consente na tua morte
Talhada a ferro e fogo
Nas profundezas do corte
Que a bala riscou no peito
Quem cala morre contigo
Mais morto que estás agora
Relógio no chão da praça
Batendo, avisando a hora
Que a raiva traçou
No incêndio repetido
O brilho do teu cabelo
Quem grita vive contigo
Áudio Milton Nascimento
Vídeo Elis Regina
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
O Que Será: Abertura, À Flor da Pele, À Flor da Terra
Crème de la crème da MPB!
O Que Será (Abertura)
Chico Buarque
O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Que não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas dele vadiar
Será que passa fora o resto do dia
Será que foi-se embora em má companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo
Áudio Simone (o início são os seis últimos versos de 'À flor da Pele')
O Que Será (À Flor da Pele)
Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Vídeo Milton Nascimento e Chico Buarque
O Que Será (À Flor da Terra)
Chico Buarque
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo
Vídeo e Áudio Chico Buarque e Milton Nascimento
Áudio Simone: Abertura, À Flor da Pele, À Flor da Terra (trechos do filme 'Dona Flor e Seus Maridos', de Bruno Barreto)
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
Canção da América (Unencounter)
Canção da América (Unencounter)
Milton Nascimento e Fernando Brant
Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
Vídeo Milton Nascimento
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Clube da Esquina - Clube da Esquina No.2
Clube da Esquina
Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges
Noite chegou outra vez
De novo na esquina os homens estão
Todos se acham mortais
Dividem a noite, lua e até solidão
Neste clube a gente sozinha se vê
Pela última vez
À espera do dia naquela calçada
Fugindo pra outro lugar
Perto da noite estou
O rumo encontro nas pedras
Encontro de vez
Um grande país eu espero
Espero do fundo da noite chegar
Mas agora eu quero tomar suas mãos
Vou buscá-la aonde for
Venha até a esquina
Você não conhece o futuro que tenho nas mãos
Agora as portas vão todas se fechar
No claro do dia o novo encontrarei
E no curral D'El Rey
Janelas se abram ao negro do mundo lunar
Mas eu não me acho perdido
No fundo da noite partiu minha voz
Já é hora do corpo vencer a manhã
Outro dia já vem
E a vida se cansa na esquina
Fugindo, fugindo, pra outro lugar
Áudio Milton Nascimento
Clube da Esquina No.2
Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges
Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço, aço...
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos...
E lá se vai mais um dia...
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva de um rio, rio, rio...
E lá se vai mais um dia...
E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente...
E lá se vai, vai, vai, vai....
Vídeo Milton Nascimento
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O Que Foi Feito Devera - O Que Foi Feito De Vera
O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento e Fernando Brant
O que foi feito, amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor
Quisera encontrar
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
E o que foi feito
É preciso conhecer
Para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz
O Que Foi Feito De Vera
Milton Nascimento e Márcio Borges
Alertem todos alarmas
Que o homem que eu era voltou
A tribo toda reunida
Ração dividida ao sol
De nossa Vera Cruz,
Quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par
Quando o cansaço era rio
E rio qualquer dava pé
E a cabeça rolava num gira-girar de amor
E até mesmo a fé
Não era cega nem nada
Era só nuvem no céu e raiz
Hoje essa vida só cabe
Na palma da minha paixão
De Vera nunca se acabe
Abelha fazendo o seu mel
No canto que criei
Nem vá dormir como pedra
E esquecer o que foi feito de nós
Áudio Elis Regina e Milton Nascimento
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sábado, 25 de dezembro de 2010
Cais - Um Gosto de Sol - Que Bom Amigo - Outro Cais
Hoje pesquisando sobre a música Que Bom Amigo, do disco Clube da Esquina 2 (1978) do Milton Nascimento (ver abaixo), encontrei uma postagem no blog Sobre a Canção, de Túlio Villaça, com informações bem interessantes (confira aqui) a respeito do tema musical presente nessa canção e que também encerra Cais e Um Gosto de Sol (também postadas aqui) no disco Clube da Esquina (1972), de Milton Nascimento e Lô Borges. A primeira vez que ouvi esse tema, no entanto, foi na gravação de Cais da Elis Regina em seu álbum Elis de 1972 (aqui coloquei o vídeo do programa MPB Especial, de 1973, em que a cantora é acompanhada ao piano por Cesar Camargo Mariano). O tema também aparece no finalzinho de Outro Cais, participação da baixinha no disco Os Borges, de 1980 (também apresentada abaixo).
Cais
Milton Nascimento / Ronaldo Bastos
Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar
Cais: aúdio e vídeo com Milton Nascimento (no vídeo Milton toca o tema no teclado!!!) e vídeo com Elis Regina.
Um Gosto de Sol
Milton Nascimento / Ronaldo Bastos
Alguém que vi de passagem
Numa cidade estrangeira
Lembrou os sonhos que eu tinha
E esqueci sobre a mesa
Como uma pêra se esquece
Dormindo numa fruteira
Como adormece o rio
Sonhando na carne da pêra
O sol na sombra se esquece
Dormindo numa cadeira
Alguém sorriu de passagem
Numa cidade estrangeira
Lembrou o riso que eu tinha
E esqueci entre os dentes
Como uma pêra se esquece
Sonhando numa fruteira
Áudio Um Gosto de Sol com Milton Nascimento
Que Bom Amigo
Milton Nascimento
Que bom, amigo
Poder saber outra vez que estás comigo
Dizer com certeza outra vez a palavra amigo
Se bem que isso nunca deixou de ser
Que bom, amigo
Poder dizer o teu nome a toda hora
A toda gente
Sentir que tu sabes
Que estou pro que der contigo
Se bem que isso nunca deixou de ser
Que bom, amigo
Saber que na minha porta
A qualquer hora
Uma daquelas pessoas que a gente espera
Que chega trazendo a vida
Será você
Sem preocupação
Áudio Que Bom Amigo com Milton Nascimento
Outro Cais
Marilton Borges / Duca Leal
Me atraiu o teu encanto
Respirei o teu ar
Te arranquei do teu cais
Me lancei no teu mar
Te cobri com meu manto
Descansei nestas ondas
Misturamos nosso sangue
Juntos fomos dançar
Áudio Outro Cais com Elis Regina
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
San Vicente
Não sei por quê, mas esssa música não saiu da minha cabeça essa semana.
San Vicente
Milton Nascimento / Fernando Brant
Coração americano
Acordei de um sonho estranho
Um gosto, vidro e corte
Um sabor de chocolate
No corpo e na cidade
Um sabor de vida e morte
Coração americano
Um sabor de vidro e corte
A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
Estava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Um sabor de vidro e corte
Unhnhnhnh...
As horas não se contavam
E o que era negro anoiteceu
Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente
Coração americano
Um sabor de vidro e corte
Lararararairai...
Vídeo Milton Nascimento
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domingo, 7 de novembro de 2010
Ponta de Areia
Ponta de Areia
Milton Nascimento - Fernando Brant
Ponta de areia ponto final
Da Bahia-Minas estrada natural
Que ligava Minas ao porto ao mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra do povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças flores janelas e quintais
Na praça vazia um grito um ai
Casas esquecidas viúvas nos portais
Vídeo: Boca Livre
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