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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pequeno Circo Íntimo


Pequeno Circo Íntimo
Ivan Lins, Aldir Blanc e Paulo Emilio

Fiz essa canção
Pelo tesão que o anão
Sentia na mulher barbada.
Pelo domador
Que violou a Menina das aves
Na jaula dos animais.
Pelo espectador
E o Tatuado
Que morreram de mãos dadas
Num pacto entre anormais.

Fiz essa canção
Pela solidão
E a tristeza do palhaço.
Eis minha canção
Pela equilibrista
Que, lá em cima,
Perde o passo...
Para a bilheteira
Que bebe estricnina
Pela moça dos balões.
Todo o meu amor
Para o homem-bala
Atirado nos leões
Fiz essa canção
Pra contorcionista
Que padece da coluna
Pro engolidor de fogo
Cheio de bronquite
Que, no escuro, ainda fuma...
Pro ilusionista
Que se enforcou na estola
E viu na cartola o mar...
Pro atirador
Que voltou a faca
Contra a própria jugular
Bordei essa canção
Com o paetê
Que há no lixo aonde as glórias
Renascem: memórias

Áudio Ivan Lins e Aldir Blanc (também aqui)

Somos Todos Iguais Nesta Noite (É o Circo de Novo)



Somos Todos Iguais Nesta Noite (É o Circo de Novo)
Ivan Lins e Vitor Martins

Somos todos iguais nesta noite
Na frieza de um riso pintado
Na certeza de um sonho acabado
É o circo de novo

Nós vivemos debaixo do pano
Entre espadas e rodas de fogo
Entre luzes e a dança das cores
Onde estão os atores

Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Vamos dançar mais uma vez

Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Vamos entrar mais uma vez

Somos todos iguais nesta noite
Pelo ensaio diário de um drama
Pelo medo da chuva e da lama
É o circo de novo

Nós vivemos debaixo do pano
Pelo truque malfeito dos magos
Pelo chicote dos domadores
E o rufar dos tambores

Áudio Ivan Lins



Áudio Djavan e Ivan Lins

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Noite


A Noite
Ivan Lins e Vitor Martins

A noite tem bordado
Nas toalhas dos bares
Corações arpoados
Corações torturados
Corações de ressaca
Corações desabrigados demais

A noite tem falado
Nas cadeiras dos bares
De paixões afogadas
De paixões recusadas
De paixões descabidas
De paixões envelhecidas demais

A noite traz no rosto sinais
De quem tem chorado demais

A noite tem deixado
Seus rancores gravados
A faca e canivete
A lápis e gilette
Por dentro das pessoas
Por dentro dos toilettes e mais
Por dentro de mim

Áudio Ivan Lins aqui

Velas Içadas



Velas Içadas
Ivan Lins e Vitor Martins

Seu coração é um barco de velas içadas
Longe dos mares, do tempo, das loucas marés
Seu coração é um barco de velas içadas
Sem nevoeiros, tormentas, sequer um revés

Seu coração é um barco jamais navegado
Nunca mostrou-se por dentro, abrindo os porões
Seu coração é um barco que vive ancorado
Nunca arriscou-se ao vento, às grandes paixões

Nunca soltou as amarras
Nunca ficou à deriva
Nunca sofreu um naufrágio
Nunca cruzou com piratas e aventureiros
Nunca cumpriu o destino das embarcações

Áudio Ivan Lins

sábado, 14 de maio de 2011

Sertaneja



Sertaneja
Ivan Lins e Vitor Martins

Êta saudade brava
Rondando meu coração,
Sempre apertando o cerco
Do laço no cinturão.

Sempre esquentando fogo
Pras festas de São João,
Sempre jogando água
Nos olhos desse peão.

Dá meu chapéu de palha,
Minhas esporas,
O meu cavalo
Que eu vou-me embora
Abre as porteiras,
Destranca esse sertão.

Êta saudade brava
Rondando meu coração,
Sempre voando baixo
Com garras de gavião.

Cheia de armadilhas
Tocaias e alçapão,
Pra me prega de jeito
À força outra lição.

Áudio Ivan Lins

sexta-feira, 4 de março de 2011

Palhaços e Reis



Palhaços e Reis
Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza

Quando a festa acabar
Quarta-feira raiar
Vou vestir a minha fantasia
Com palhaços e reis
Vou viver meu dia-a-dia

Olha, morena
Me dói, me dá pena
Saber o que a vida nos faz
Destrói, desacata
Maldiz e maltrata
O ano inteiro

Quando o ano acabar
Fevereiro raiar
Vou rasgar a minha fantasia
Vou cantar, vou ser eu
Vou pular, vou ser eu
Vou sorrir, vou ser eu
Vou morrer dentro da folia

Áudio Ivan Lins



Áudio MPB-4



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Desenredo (G.R.E.S. Unidos do Pau-Brasil)


Desenredo (G.R.E.S. Unidos do Pau-Brasil)
Ivan Lins / Gonzaguinha

No dia em que o jovem Cabral chegou por aqui, ô ô
Conforme diversos anúncios na televisão
Havia um coro afinado da tribo tupi
Formado na beira do cais cantando em inglês
Caminha saltou do avião assoprando um apito em free bemol
Atrás vinha o resto empolgado da tripulação
Usando as tamancas no acerto da marcação
Tomando garrafas inteiras de vinho escocês
Partiram num porre infernal por dentro das matas, ô ô
Ao som de pandeiros chocalhos e acordeon
Tamoios, Tupis, Tupiniquins, acarajés ou Carijós (sei lá...)

Chegaram e foram formando aquele imenso cordão, meu Deus quibão
E então de repente invadiram a Avenida Central, mas que legal
E meu povo, vestido de tanga adentrou ao coral
Um velho cacique dos pampas sacou do piston
E deu como aberto, em decreto mais um carnaval, ah que bom
E assim, a Vinte e Dois daquele mês de Abril
Fundaram a Escola de Samba Unidos do Pau-Brasil

Áudio Gonzaguinha

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desesperar Jamais


Desesperar Jamais
Ivan Lins / Vitor Martins

Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer Valer o dito popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais

Áudio Beth Carvalho e Ivan Lins

Novo Tempo

  Novo Tempo
Ivan Lins / Vitor Martins

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça

Áudio Ivan Lins



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Saindo de Mim



Saindo de Mim
Ivan Lins / Vitor Martins

Você foi saindo de mim
Com palavras tão leves
De uma forma tão branda
De quem partiu alegre

Você foi saindo de mim
Com sorriso impune
Como se toda faca
Não tivesse dois gumes

Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente

Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo

Nas vezes em que choro
Nas vezes em que choro

Você foi saindo de mim.

Áudio Simone