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sábado, 10 de dezembro de 2011

Na Linha do Mar


Na Linha do Mar
Paulinho da Viola

Galo cantou
Às quatro da manhã
Céu azulou
Na linha do mar

Vou me embora desse
Mundo de ilusão
Quem me vê sorrir
Não há de me ver chorar

Flechas sorrateiras
Cheias de veneno
Querem atingir
O meu coração
Mas o meu amor
Sempre tão sereno
Serve de escudo
Pra qualquer ingratidão

Vídeo Clara Nunes

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Coração Valente


Coração Valente
Edil Pacheco e Roque Ferreira

Coração, coração
Coração

Meu coração padece e viceja
Vence a correnteza
E afasta esse mal
Coração valente
Resiste e não cai
Navega no rio dos fortes
Seguindo ele vai

Meu coração poeta descansa
Sobre a esperança
Que os sonhos contêm
Sem temer o medo
Nos versos tão seus
Tu chegas, coração, aos pés de deus

Coração que pensa em ser feliz
Quando alguém vem sem razão e diz
"Não luta, coração"
E o coração combate
Levanta, sai feliz e bate
Coração

Áudio Clara Nunes (também aqui)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Iracema



Iracema
Adoniran Barbosa

Iracema, eu nunca mais que te vi
Iracema meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você

Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não
Iracema você travessou contra mão

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato.

- Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar
Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
Você foi para Assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema
Paciência, Iracema, paciência

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato

Áudio Clara Nunes e Adoniran Barbosa

sábado, 14 de maio de 2011

Sagarana



Sagarana
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

A ver, no em-sido
Pelos campos-claro: estórias
Se deu-passado esse caso
Vivência e memórias
Nos gerais
A honra é-que-é-que se apraz
Cada quão
Sabia sua distrição
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, ’sas passagens,
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens
Personagens
A mulher
Tinha o morenês que se quer
Verdeolhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz-que existia outro gerais
Quem o qual,
Dono seu,
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida,
No bem e no mal dividida,
Um dia ela dá o que faltou... ô, ô, ô...
É buriti
Buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi
O que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é buritirana...
A pois, que houve,
No tempo das luas bonitas,
Um moço eveio:
– Viola enfeitada de fitas.
Vinha atrás
De uns dias pra descanso e paz
Galardão:
– Mississol-redó: Falanfão.
No-que: “– se abanque...”
Que ele deu nos óio o verdejo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo
Foi desejo
Foi desejo
Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz
Quis logo querer os gerais
E a dona deles:
“– Que sim”, que ela disse, verdeal
Quem o qual,
Dono seu,
Vendo as olhâncias, no-avoo virou bicho-animal:
– Cresceu nas facas:
– O moço ficou sem ser macho
E a moça sem verde ficou ... ô, ô, ô
É buriti...
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!
Guimarães: buritizais!
Guimarães: buritizais!

Vídeo Clara Nunes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Homenagem à Velha Guarda

 Caricatura de Sivuca no site Forró em Vinil


Nesta postagem o instrumentista, arranjador, compositor, acordeonista, violonista,  guitarrista, pianista e percussionista, enfim músico paraibano Sivuca e sua Homenagem à Velha Guarda em dois grandes momentos. No primeiro, com letra de Paulo César Pinheiro, tocando acordeon e piano com Clara Nunes, Hélio Delmiro (violão), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Netinho (clarinete), Copinha (flauta), Zé Menezes (bandolim) e Raul de Barros (trombone). Os demais músicos, o "pessoal de base" como são apresentados no encarte do disco As Forças da Natureza (1977), de Clara, aparecem citados em conjunto somente no final do texto de apresentação e não faixa a faixa como os demais, por isso me fica impossível saber quais músicos listados realmente participaram desta gravação. O arranjo é do próprio Sivuca. Já no segundo momento o multi-instrumentista, em seu acordeon, realiza fantástico duo com ninguém menos que outro grande multi-instrumentista, Hermeto Pascoal, este ao piano!

Homenagem à Velha Guarda
Sivuca e Paulo César Pinheiro

Um chorinho me traz
Muitas recordações
Quando o som dos regionais
Invadia os salões
E era sempre um clima de festas
Se fazia serestas
Parando nos portões
Quando havia os balcões
Sob a luz da Lua
E a chama dos lampiões a gás
Clareando os serões
Sempre com gentis casais
Como os anfitriões
E era uma gente tão honesta
Em casinhas modestas
Com seus caramanchões
Reunindo os chorões
Era uma flauta de prata
A chorar serenatas, modinhas, canções
Pandeiro, um cavaquinho e dois violões
Um bandolim bonito e um violão sete cordas
Fazendo desenhos nos bordões
Um clarinete suave
E um trombone no grave a arrastar corações
Piano era o do tempo do Odeon
De vez em quando um sax-tenor
E a abertura do fole imortal do acordeom
Mas já são pra nós
Meras evocações
Tudo já ficou pra trás
Passou nos carrilhões
Quase ninguém se manifesta
Pouca coisa hoje resta
Lembrando os tempos bons
Dessas reuniões

Áudio Clara Nunes



Vídeo Sivuca & Hermeto Pascoal

terça-feira, 15 de março de 2011

Mente



Mente
Eduardo Gudin e Paulo Vanzolini 

Mente, ainda é uma saída
É uma hipótese da vida
Mente, sai dizendo que me ama
Mente, espalha essa fama
Me chama de meu amor constantemente
No meio de toda gente e a sós
Entre nós dois, mente

Mente, pra dar um novo início
Ninguém liga a sacrifício
Quando ele é o único meio
Pois na mentira, meu amor
Crer eu não creio
Só pretendo
Que de tanto mentir
Repetir que me ama
Você mesma acabe crendo

Áudio Clara Nunes

terça-feira, 8 de março de 2011

Alvorada no Morro



Alvorada no Morro
Carlos Cachaça, Cartola e Herminio Bello de Carvalho

Alvorada
Lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta
É bem pouco, quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida

Vídeo Cartola



Vídeo Clara Nunes

Tristeza Pé no Chão



Tristeza Pé no Chão
Armando Fernandes "Mamão"

Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação

Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão

Fiz o estandarte com as minhas mágoas
Usei como destaque a tua falsidade
Do nosso desacerto fiz meu samba enredo
Do velho som do minha surda dividi meus versos

Nas platinelas do pandeiro coloquei surdina
Marquei o último ensaio em qualquer esquina
Manchei o verde esperança da nossa bandeira
Marquei o dia do desfile para quarta-feira

Vídeo Clara Nunes

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minha Festa



Minha Festa
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Lararará, lararará...
Graças a deus
Minha vida mudou
Quem me viu, quem me vê
A tristeza acabou
Contigo aprendi a sorrir
Escondes o pranto de quem
Sofreu tanto
Organizaste uma festa em mim
É por isso que eu canto assim
Lararará, lararará...

Vídeo Clara Nunes

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Serenata do Adeus



SERENATA DO ADEUS
Vinicius de Moraes

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer nos braços meus
Cai, a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra : Adeus
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima, um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu
Ai, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir

Rasga meu coração
Crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda desilusão
Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima um momento breve
De uma estrela pura cuja luz morreu

Vídeo Clara Nunes (acompanhada pelo violão)