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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Comentário a Respeito de John


Comentário a Respeito de John, de Belchior e José Luis Penna, cita Happiness Is a Warm Gun, canção de John Lennon e Paul McCartney. Lançada no ótimo álbum de Belchior, de 1979.

Comentário a Respeito de John
Belchior e José Luis Penna

Saia do meu caminho
Eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decida a minha vida

Não preciso que me digam
De que lado nasce o sol
Porque bate lá meu coração

Sonho e escrevo em letras grandes (de novo)
Pelos muros do país:
João
O tempo
Andou mexendo com a gente
Sim!
John!
Eu não esqueço
(Oh No! Oh No!)
A felicidade
É uma arma quente
Quente, quente

Saia do meu caminho...

Sob a luz do teu cigarro na cama
Teu rosto-ruge
Teu batom me diz:
João!
O tempo andou mexendo com a gente
Sim!
John!
Eu não esqueço
(Oh No! Oh No!)
A felicidade
É uma arma quente
Quente, quente

Áudio Belchior


Pequeno Mapa do Tempo


Outra composição de Belchior, Pequeno Mapa do Tempo foi lançada em seu álbum Coração Selvagem, de 1977.

Pequeno Mapa do Tempo
Belchior

Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião

Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo que Belo Horizonte
Eu tenho medo que Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal, Vitória
Eu tenho medo Goiânia, Goiás

Eu tenho medo Salvador, Bahia
Eu tenho medo Belém do Pará
Eu tenho medo pai, filho, Espírito Santo, São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A

Eu tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo

Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, no Piauí

Áudio Belchior

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Palo Seco


À Palo Seco, de Belchior, foi lançada em seu primeiro LP de 1974, mas a música ficou nacionalmente conhecida quando o cantor, compositor e instrumentista cearense a regravou em seu disco Alucinação, de 1976. Aqui são apresentadas ambas as versões.

A Palo Seco
Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi
- Amigo, eu me desesperava
Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73[76]
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

- Tenho vinte e cinco anos de sonho e
De sangue e de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues
Sei, que assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73[76]
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

Aúdio Belchior (1974)



Áudio Belchior (1976)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mucuripe


Elis Regina: 30 anos depois...

Elis Regina revelou vários compositores. Dentre eles, numa cajadada só, Fagner e Belchior, com a belíssima interpretação de Mucuripe, presente em um de seu melhores discos: Elis, de 1972, arranjado por Cesar Camargo Mariano. 

Mucuripe
Fagner e Belchior

As velas do Mucuripe, vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas, pras águas fundas do mar
Hoje a noite namorar, sem ter medo da saudade
E sem vontade de casar

Calça nova de riscado, paletó de linho branco
Que até o mês passado, lá no campo inda era flor
Sob o meu chapéu quebrado, um sorriso ingênuo, franco
De um rapaz novo, encantado, com vinte anos de amor

Aquela estrela é dele
Vida, vento, vela, leva-me daqui

Áudio Elis Regina

domingo, 27 de novembro de 2011

Noves Fora


Noves Fora
Fagner e Belchior

Ai, meu deus, o que é que faço
Tua beleza tá me carregando pelo braço

Da laranja eu quero um gomo
Do limão quero um pedaço
E da menina mais bonita
Eu quero o beijo e o abraço
É tudo ou nada
Noves fora, nada

Já rezei até pro meu santo
Na terra do Canindé
Que me dê amor bem grande
Que pequeno não dá pé
É tudo ou nada
Noves fora, nada

A tua falta somada
A minha vida tão diminuída
Com esta dor multiplicada
Pelo fator despedida

Deixou minh'alma muito dividida
Em frações tão desiguais
E desde a hora em que você foi embora
Eu sou um zero e nada mais

Um, dois, três, ene, infinito
Do meu lado esquerdo você que é demais

Vídeo Elis Regina

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Velha Roupa Colorida



Velha Roupa Colorida
Belchior

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais teu pai falou: "She's leaving home
E meteu o pé na estrada like a Rolling Stone"
Nunca mais você convidou sua menina
Para correr no seu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento
Amor e flor, que é do cartaz?
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente, não vê...

Como Poe, poeta louco americano,
Eu pergunto ao passarinho: "Blackbird, o que se faz?"
E raven never raven never raven
Blackbird me responde:
"Tudo já ficou pra trás"
E raven never raven never raven
Assum-preto me responde:
"O passado nunca mais"

Áudio Elis Regina