segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Súplica - O Poder da Criação - Minha Missão (Triologia do Alumbramento)



A parceria entre João Nogueira e Paulo César Pinheiro rendeu muitos e ótimos frutos. Dentre eles destaco nesta postagem a Triologia do Alumbramento, composta das músicas Súplica, O Poder da Criação e Minha Missão.


Todas as três canções foram gravadas por João Nogueira na virada dos anos 70 e 80, respectivamente nos álbuns Clube do Samba (1979), Boca do Povo (1980) e O Homem dos Quarenta (1982).


Súplica
João Nogueira / Paulo César Pinheiro

O corpo a morte leva
A voz some na brisa
A dor sobe pras trevas
O nome a obra imortaliza
A morte benze o espírito
A brisa traz a música
Que na vida é sempre a luz mais forte
Ilumina a gente além da morte.

Venha a mim, óh, música
Vem no ar
Ouve de onde estás a minha súplica
Que eu bem sei talvez não seja a única
Venha a mim, oh, música
Vem secar do povo as lágrimas
Que todos já sofrem demais
E ajuda o mundo a viver em paz.

Vídeo João Nogueira





O Poder da Criação
João Nogueira / Paulo César Pinheiro

Não, ninguem faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração

Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
Que acende a mente e o coração
É, faz pensar que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite
Ou no claro do dia
Chega a nos angustiar

E o poeta se deixa levar por essa magia
E o verso vem vindo
E vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar...
Lalalaiá, laiá, lalaiá...

Áudio João Nogueira




Minha Missão
João Nogueira / Paulo César Pinheiro

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já tanto sofreu.
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando aos pés de Deus.

Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania

Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz.

Do Poder da Criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha Súplica
Mensageiro sou da música.

O meu canto é uma Missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver

Quando eu canto a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta.

Vídeo João Nogueira




Áudio João Nogueira: Triologia do Alumbramento

sábado, 29 de janeiro de 2011

Toada de Gado - A Morte do Vaqueiro


 Toada de Gado
Vavá Machado / Arlindo Marcolino

Oh...Vaqueiro do meu sertão
Não despreza o teu gibão
Nosso destino é marcado pela providência divina
Assim se achou nas colinas Raimundo Jacó assassinado
Seu nome serviu de fama
Luiz Gonzaga gravou e o padre João celebrou uma missa em coral
Os santos também sentiram
Enviaram os poetas ouviram e os nordestinos aplaudiram uma toada de gado
Os santos sentiram tanto, que derramaram seu pranto
Raimundo Jacó nesse canto por nós é homenageado
Eh, vida de gado, ôô...

A Morte do Vaqueiro
Nelson Barbalho / Luiz Gonzaga

Ê gado..ohhh...ê...
Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Só lembrado do vaqueiro que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar tão dolente a cantar
Tengo lengo tengo...
Ê gado oh...

Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido nas quebradas do sertão
Nunca mais ouvirão teu cantar meu irmão
Tengo lengo tengo...
Ê gado oh...

Sacudido numa cova
Desprezado do senhor
Só lembrado o cachorro que ainda chora a sua dor
É demais, tanta dor não tem mais seu amor
Tego, lego, tengo, lengo, tengo...
Ê gado ohhh ê ê ê...

Áudio Quinteto Violado aqui.

Vídeo de 'A Morte do Vaqueiro' com Luiz Gonzaga e Quinteto Violado

A Vida do Viajante


 A Vida do Viajante
Luiz Gonzaga / Hervé Cordovil

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei.

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a saudade [alegria] no coração

Minha vida é andar...

Mar e terra
Inverno e verão
Mostra o sorriso
Mostra a alegria
Mas eu mesmo não
E a alegria no coração

Minha vida é andar...

Vídeo Gonzagão & Gonzaguinha (Wagner Tiso no piano)

Assum Preto



Assum Preto
Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)

Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá de mió (bis)

Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)

Assum Preto, o meu cantar
É tão triste quanto o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus

Vídeo Gal Costa


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Baião


Baião
Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chega pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião

Eu já dancei balancê
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras danças não têm
Quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião

Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião

Áudio Luiz Gonzaga aqui.